Graça Morais - Ritos e Mitos


Graça Morais
Ritos e Mitos
Quarenta anos depois 1974 / 2014



Rostos e gestos, tramas narrativas de sacralidade e morte, cenas de trabalho e rituais, acusam as marcas de uma obra que, não obstante a variação de estratégias formais e criativas que mobiliza, não abdica do real como referência, que aqui é feito de terra e de mistérios ancestrais e tem profunda ligação à memória e aos afectos.

Transfigurado ou metamorfoseado através da distorção e da sobreposição de linhas e formas, capazes de desencadear distintos níveis de leitura, cada obra é metáfora pictórica não só do encontro com o Trás-os-Montes de Graça Morais, mas da interpretação e da inquietante reflexão que, a partir deste território antigo em iminente desagregação, a artista faz do mundo.

Em permanente reinvenção e revisitação de temas e abordagens, a obra de Graça Morais tem vindo a desenvolver-se, ao longo destes quarenta anos, a partir de uma linguagem muito própria, assente em múltiplas derivações e em sucessivas deambulações criativas, que se sobrepõem, combinam ou interrompem e fazem dela uma obra à parte, inconfundível, no contexto da arte contemporânea portuguesa.

A sua prática pictórica não está no registo do pitoresco ou na captação sob ponto de vista etnográfico para memória futura, está antes na exploração de um imaginário e no modo como explana, com grande sinceridade pictórica, o que observa e lhe subtrai a redutora referência naturalista.

A escala cronológica da exposição que agora se apresenta na Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, é ampla, reunindo, no domínio do desenho, actividade dorsal do seu processo criativo, uma selecção de trabalhos emblemáticos de séries como, Marias, Metamorfoses, Procissão ou Desenhos de Abril, permitindo, de algum modo, o reencontro com uma grande variação de temas e estilísticas já tratados por Graça Morais.

Patente até 31 de Janeiro de 2015, de Terça a Domingo, das 10h às 17h30.

Comissário: Jorge da Costa
Produção: Sociedade Martins Sarmento
Centro de Arte Contemporânea Graça Morais


Sociedade Martins Sarmento
Rua Paio Galvão
4814-509 Guimarães
Tel: + 351 253 415969
Fax: + 351 253 519413

Horário de abertura ao público:
Terça a sexta-feira: 9:30/12:00 e 14:00/17:00
Sábado: 9:30/12:00 e 14:00/17:00
Domingo: 10:00/12:00 e 14:00/17:00
Encerra à segunda-feira



La Magia de la Caza



Inauguración de la exposición 5 de Julio a las 21:30 horas en el Centro de Arte Contemporáneo Graça Morais, en Bragança

Graça Morais – Passeio a água d’Alte, 2010. Acrílico sobre lienzo, 73 x 100 cm. Colección del artista.

La Magia de la Caza de Graça Morais
Pintura y Dibujo
5 de Julio de 2014 a 25 de Enero de 2015

En este territorio maravilloso mi gran libertad se manifiesta a través del acto de crear.
Pinto el reino de la metamorfosis donde las perdices, las liebres, los perros, las mujeres y los hombres se funden entre sí con la terra y con las plantas.
Estas pinturas y dibujos pertenecen al orden y al caso de los ciclos de la naturaleza; viven de la lucha y la reconciliación del Animal con el Hombre.
                                                Graça Morais

Como personajes de un drama antiguo, presa y cazador consustancian un conjunto de trabajos realizados por Graça Morais entre 1978 y 1979, en Paris, un inquietante análisis en torno a la estructura de la sociedad tradicional transmontana.

En una aparente visión poética de la vida en el campo, marcada por la exuberancia de la paleta cromática con la que satura los lienzos, Graça Morais introduce, a partir de la temática de la caza, preguntas sobre la legitimidad de un universo pautado por la ambivalencia entre la condición del hombre y la mujer, indiciada por la sutiles juegos de poder y sumisión, de amor y muerte, y nos conduce a mundos paradójicos e inesperados.

Además de lo que es un mero juego de caza y del cazador, a la vez mágico y cruel, el conjunto de trabajos es entendido como una metáfora de deseo y de poder sobre la mujer y cada lienzo tiene implícito la denuncia “de una agresividad viril” o la “brutalidad machista”, que la presencia de objetos como el arma de caza intensifican.

Generalmente muerta, la perdiz, al igual que la liebre, es, así, dentro de su sistema plural de signos, una “especie de Leitmotiv en tantas obras – es una imagen de diferentes significados y de diferentes equivalencias femeninas; ella es víctima del juego del macho, presa de su placer y de una violencia de deseo.”1

Al conjunto de trabajos, presentados a finales de la década de los 70, en el Centro Cultural portugués de la Fundación Calouste Gulbenkian, en Paris, se añade ahora, pasados cuarenta años, una importante serie de trabajos inéditos, realizados en 2010. En un intento de reanudar vínculos con un tema ya tratado, es, en ausencia de la figura del cazador, lo femenino lo que domina cada lienzo o dibujo, bien sea en forma de mujer, liebre o perdiz.

Comisario: Jorge da Costa
Producción: Centro de Arte Contemporáneo Graça Morais
Ayuntamiento de Bragança

1 AZEVEDO, Fernando de – Graça Moraias – Ainda o Mito e a Graça. Coloquio Artes.
Lisboa: Fundación Calouste Gulbenkian, nº 72, (marzo de 1987), págs. 19-25




Centro de Arte Contemporáneo Graça Morais
Calle Abilio Beça, 105
5300-011 Bragança
Tel: (351) 273 302 410
centro.arte@cm-bragança.pt