Mostrar mensagens com a etiqueta João Pinharanda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João Pinharanda. Mostrar todas as mensagens

'Graça Morais: a Arte e o Presente' por João Pinharanda


A Idade do Medo Carvão e Pastel sob Tela 208x178cm 2011


Livrai-nos Senhor, da Fome da Peste e da Guerra
(oração medieval)


Pedimos à Arte a eternidade possível: o prolongamento, até aos limites do tempo humano, da memória de cada indivíduo, de cada geração ou de cada civilização. No entanto, a eternidade não se alcança construindo uma cena imóvel, alcança-se pela repetição do efémero, enfrentando o tempo passado e não negando o tempo presente. Cada tempo tem o seu tempo e é ele que resiste para memória futura.

O trabalho de Graça Morais trata do Tempo e do Lugar. Ela construiu a sua imagem investigando memórias e transformando realidades: a do Portugal rural que mudava e perdia o seu tempo e o seu lugar no Mundo. Através dela vimos Trás-os-Montes agarrando-se à longura do céu, à dureza do ar, à antiguidade da voz, à violência de uma beleza esquecida.

As duas séries que agora se apresentam, embora encadeando-se nalguns outros momentos anteriores, surgem claramente como sobressalto cívico. Graça Morais reage, já não apenas a um presente que perde o seu passado mas a um presente que perde também o seu futuro. As longas e intensas cenas rurais de Graça Morais olhavam um mundo que lentamente se desagregava, eram uma acção de conservação, uma homenagem. Agora, são uma denúncia, um alerta. O tempo, aqui, é imediato e o espaço também – e ambos desabam vertiginosos sobre nós.

E, no entanto, cada uma das imagens que ela nos atira, retoma, repete, cita rostos, gestos, cenas que ao longo da história da Arte tantos outros artistas retomaram, repetiram, citaram transformando o quotidiano em alguma coisa capaz de durar para além do instante de um grito – transformando-o em imagens, em símbolos. A crueza do desenho e a aspereza da cor, a ausência dos fundos e o peso das figuras são características e recursos: os riscos que se sobrepõem entre si, as cores que se desencontram dos limites do desenho, os fundos que permanecem nus à espera de mais sangue ou de algum azul sem nuvens.

Há uma reinventada tradição expressionista na obra de Graça Morais que não encontra nunca tal grau de exasperação na pintura portuguesa que a precede; também não se encontra tal exasperação na literatura ou na música portuguesas. Porque procuramos o céu, se tem cores violentas? Porque erguemos um corpo, se é para ser crucificado? Porque se exibe a carne para um sexo ritualizado? Onde nos conduzem os caretos mascarados, cornudos, demoníacos? Ou as facas de matança e as lâminas das sacholas?

Talvez essa exasperação – vista na pintura europeia do Norte ou em arcaísmos europeus e não-europeus mas que Graça usa como coisa nossa – liberte uma memória antiga. Memória recalcada que aflora nas expressões populares das festas pagãs (nos Carnavais transmontanos, por exemplo), em momentos exactos da vida rural quotidiana (quando se mata um animal ou um homem, quando uma mulher é violentada, quando se ateia o fogo e arde um palheiro). Memória que a cultura dominante (primeiro católica, depois urbana) se esforça por adormecer ou escamotear sob a capa da inevitabilidade do trabalho, da necessidade da paciência, da santificação da dor, da pacificação social, da civilidade dos costumes.

Onde nos levam os corpos dobrados sobre a terra, semeando, esperando e arrancando os frutos, dobrados sobre o colo, tecendo ou debulhando, dobrados sobre os joelhos, rezando ou penando? Penso que nos transportam directamente às imagens que a artista agora trabalha: aos indignados da miséria urbana, aos que têm fome e aos que têm raiva, aos sacrificados das pequenas guerras que proliferam como doenças endémicas, às cenas sacrificiais e às cenas de piedade em que cada homem e cada mulher repete os gestos de todos os homens e mulheres de todas as cidades cercadas, queimadas, destruídas: Babilónia, Tróia, Persépolis, Cartago, Estalinegrado, Berlim, Hiroshima, Sarajevo, Bagdade, ... São gestos de morte e gestos de amor: cada um de nós, assassino; cada um de nós, figura de uma piéta.

Graça Morais usa fotografias da imprensa como fonte. Mas podia usar imagens de obras de Picasso ou Manet, Delacoix ou Goya, David ou Velasquez, Caravaggio ou Miguel Ângelo, Van Eyk ou Ucello, a escultura do Gaulês moribundo ou do Gálata suicida, podia repetir a perda de Euridíce por Orpheu, a dor de Aquiles por Patrócolo, o salvamento de Anquises por Eneias, o golpe de espada de Judite sobre o pescoço de Holofernes, o terno abraço de Isabel e Maria, o peso de Cristo nos braços estremados de sua Mãe... – porque as mais certeiras dessas fotos de imprensa são as que coincidem com os estereótipos de dor e sacrifício, de violência e compaixão definidos nas imagens literárias e teatrais, orais e visuais da cultura ocidental desde a sua formação.

Qualquer imagem integra a História e constrói a sua própria história. Graça Morais altera escalas, espaços, gestos, posições, direcções, muda protagonistas. Faz tudo para alcançar uma verdade sua que deseja venha a ser universalmente reconhecida. Mas como sempre, são as construções ficcionadas que melhor nos trazem ao coração do real. Entre O 3 de Maio de 1808 em Madrid de Goya e a Guernica de Picasso olhemos a Execução do Imperador Maximilano, que Manet pintou em 1869 a partir de testemunhos directos. Se compararmos fotos e relatos escritos que o artista consultou com a obra que realizou, veremos alterados todos os elementos da composição e quase irreconhecíveis os laços entre o facto documentado e o facto-pintura. No entanto, é essa pintura que nos traz mais perto da realidade, é essa pintura que eterniza o episódio como mais um exemplo da coreografia do poder e da queda, da morte e do sacrifício, é essa pintura que nos permite transcender o pessoal, o político, até o histórico, para integrar “o que aconteceu” (o facto isolado) no arco de sentidos profundos da tragédia humana.

O discurso de Graça Morais coincide com a História. Mas usando as imagens dos perigos, dos medos e das sombras que cobrem os caminhos, nos entram em casa e nos assaltam nas ruas de todas as cidades do mundo, ela isola e destaca elementos, compõe situações novas de modo a sentir-se mais próxima de uma verdade transhistórica. Se conhecermos a dureza dessa verdade profunda expulsaremos as sombras e venceremos os medos dos nossos dias de chumbo: é essa a vontade da pintora com a sua pintura.

Lisboa, 31 de Dezembro de 2012

João Pinharanda [in Texto do catálogo 'Graça Morais - Os Desastres da Guerra']


'Os Desastres da Guerra' de Graça Morais na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva


Os Desastres da Guerra, pintura e desenho de Graça Morais
31 de Janeiro · 14 de Abril de 2013


Série Sombras do Medo 2012 Pastel e carvão sobre papel 111,3 x 75,8cm

 Série Sombras do Medo 2012 Pastel e Carvão sobre papel 111,3 x 75,8 cm

Sombras do Medo

Pinturas nas quais homens e mulheres se transmutam em animais.
Animais que ganham a força dos heróis.
Anjos que carregam nos seus braço seres que são resgatados do Inferno e dos desastres das guerras e das doenças.
Piètas que revelam a natureza humana numa recusa em aceitar a fatalidade da maldade sem rosto que ensombra a Terra.
Estas pinturas e desenhos são o meu grito de alerta e revolta perante um mundo que apreendo através dos jornais, das televisões e dos media e que também sinto no olhar das pessoas com quem me cruzo no meu quotidiano, numa cumplicidade de olhares, cheios de dignidade mas também de muito sofrimento.


 Série A caminhada do Medo VII 2011 Pastel e carvão s papel 102 x 152 cm

A Caminhada do Medo

Fuga do Caos e do Abismo.
São milhões de seres humanos que migram em busca de um futuro melhor. Fugidos de guerras, de genocídios, do terrorismo, de catástrofes naturais, lutando numa cruzada contra a fome, a doença, as injustiças sociais e as perseguições políticas.
É através destas pinturas que faço uma reflexão profunda sobre a resistência de mulheres e homens que procuram o seu lugar na Terra, lugar no qual recusam a fatalidade do Medo e a indignidade do Mal.


Graça Morais

· · ·

(...) O trabalho de Graça Morais trata do Tempo e do Lugar. Ela construiu a sua imagem investigando memórias e transformando realidades: a do Portugal rural que mudava e perdia o seu tempo e o seu lugar no Mundo. Através dela vimos Trás-os-Montes agarrando-se à longura do céu, à dureza do ar, à antiguidade da voz, à violência de uma beleza esquecida.

As duas séries que agora se apresentam, (…), surgem claramente como sobressalto cívico. Graça Morais reage, já não apenas a um presente que perde o seu passado mas a um presente que perde também o seu futuro. As longas e intensas cenas rurais de Graça Morais olhavam um mundo que lentamente se desagregava, eram uma acção de conservação, uma homenagem. Agora, são uma denúncia, um alerta. O tempo, aqui, é imediato e o espaço também – e ambos desabam vertiginosos sobre nós.
 E, no entanto, cada uma das imagens que ela nos atira, retoma, repete, cita rostos, gestos, cenas que ao longo da história da Arte tantos outros artistas retomaram, repetiram, citaram transformando o quotidiano em alguma coisa capaz de durar para além do instante de um grito – transformando-o em imagens, em símbolos. (...)

Há uma reinventada tradição expressionista na obra de Graça Morais que não encontra nunca tal grau de exasperação na pintura portuguesa que a precede; também não se encontra tal exasperação na literatura ou na música portuguesas. Porque procuramos o céu, se tem cores violentas? Porque erguemos um corpo, se é para ser cruxificado? Porque se exibe a carne para um sexo ritualizado? Onde nos conduzem os caretos mascarados, cornudos, demoníacos? Ou as facas de matança e as lâminas das sacholas?
(...)

Onde nos levam os corpos dobrados sobre a terra, semeando, esperando e arrancando os frutos, dobrados sobre o colo, tecendo ou debulhando, dobrados sobre os joelhos, rezando ou penando? Penso que nos transportam directamente às imagens que a artista agora trabalha: aos indignados da miséria urbana, aos que têm fome e aos que têm raiva, aos sacrificados das pequenas guerras que proliferam como doenças endémicas, às cenas sacrificiais e às cenas de piedade em que cada homem e cada mulher repete os gestos de todos os homens e mulheres de todas as cidades cercadas, queimadas, destruídas: Babilónia, Tróia, Persépolis, Cartago, Estalinegrado, Berlim, Hiroshima, Sarajevo, Bagdade, ... São gestos de morte e gestos de amor: cada um de nós, assassino; cada um de nós, figura de uma piéta.

Graça Morais usa fotografias da imprensa como fonte. (…) [Mas] Graça Morais altera escalas, espaços, gestos, posições, direcções, muda protagonistas. Faz tudo para alcançar uma verdade sua que deseja venha a ser universalmente reconhecida. [E, como sempre, são as construções ficcionadas que melhor nos trazem ao coração do real. Vejamos os casos de O 3 de Maio de 1808 em Madrid de Goya, da Guernica de Picasso ou da Execução do Imperador Maximilano, que Manet pintou em 1869. São essas pinturas que nos permitem] transcender o pessoal, o político, até o histórico, para integrar “o que aconteceu” (o facto isolado) no arco de sentidos profundos da tragédia humana.”

João Pinharanda (Excertos do texto 'Graça Morais: a Arte e o Presente' do catálogo)



Os Desastres da Guerra, pintura e desenho de Graça Morais, inaugura o ciclo de exposições temporárias do ano de 2013, na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva. Comissariada por João Pinharanda, a exposição tem o apoio mecenático da Fundação EDP. A exposição inaugura no dia 31 de Janeiro de 2013 pelas 18h30 e vai estar patente ao público até 14 de Abril de 2013.

Press release
Convite
The Disasters of War, paintings and drawings by Graça Morais, at the Arpad Szenes-Vieira da Silva Foundation (English booklet)



Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva | Praça das Amoreiras, 56/58 1250-020 Lisboa | Tel.( 351) 21 388 00 44/53 | Email. fasvs@fasvs.pt
Horário: De Quarta a Domingo, das 10h00 às 18h00. Encerra Segunda, Terça-feira
e feriados.


O Sagrado e o Profano: Graça Morais no Convento de Santo António, Loulé



Inaugura no próximo dia 14 de Julho, pelas 19h00, no Convento de Santo António, a Exposição de Pintura “O Sagrado e o Profano: Graça Morais no Convento de Santo António, Loulé”.

Esta Exposição é composta por obras que fazem parte da colecção da Fundação Paço d'Arcos.



Sophia e o Anjo, 1987
Acrílico s/papel, 153 x 122cm

Desejo através dos meus quadros ter consciência de quem sou, questionar a minha existência, afirmar a minha identidade construída através de sinais, símbolos, imagens, memórias de uma realidade que me liga ao universo.

Com a minha pintura quero construir um espaço diferente e único, onde possa defender a minha personalidade nestes tempos de grande massificação. A reflexão que faço do mundo está toda nos quadros que pinto. O quadro é um território íntimo, de magia, onde a linha e a cor, o espaço e a luz aparecem carregados de profunda espiritualidade.

Graça Morais, 17 de Julho de 2000, Folha de um Diário

Máscaras de Graça Morais

Máscaras (X), 1988
Acrílico, carvão e sanguínea sobre papel, 52 x 72cm

A artista reúne aqui, nos temas e épocas de realização deste conjunto de peças, períodos significativos do seu trabalho como pintora e como desenhadora. As obras apresentadas constituem parte igualmente significativa da colecção de arte da Fundação Paço d’Arcos. Finalmente, o lugar que as acolhe, uma Igreja associada ao antigo Convento de Santo António, em Loulé, intensifica o sentido de interrogação e perplexidade, desafio e aceitação de contrários que deu sentido ao projecto de Graça Morais no contexto da criação de cada uma destas obras.

Sendo hoje um espaço sem culto, a referida Igreja continua a repercutir, nas suas formas arquitectónicas e escassos elementos decorativos sobreviventes à voragem dos séculos, a imagem de lugar sacralizado. Face a esta força primordial do espaço tudo nos conduziu para que, no contexto da vasta quantidade de obra de Graça Morais integrada na Colecção Paço d’Arcos, escolhêssemos um número vasto mas coeso de peças, cuja lógica nos faz percorrer a prática e o pensamento da artista desde os anos de 1980 ao presente século.

O Interdito Transfigurado 1987
Acrílico s/ tela, 146 x 114cm

A temática revela períodos de forte inquietação e reflexão da artista a propósito do fenómeno religioso no mundo actual. Evidentemente, não estamos perante obras religiosas, passíveis de integrar sem polémica um espaço de culto católico. Em cada momento as referências históricas e iconográficas são subvertidas quer no jogo interior das imagens quer no jogo entre as imagens e os títulos. Nas suas composições cruzam-se e sobrepõem-se, fundem-se, a iconografia religiosa e pagã, a história da pintura antiga e actual, a intromissão do quotidiano contemporâneo, a natureza animal e a humanizada, o lugar que concede à Mulher e a sua própria imagem como elemento auto-biográfico – no seu conjunto, estas pinturas e desenhos, constroem um discurso carregado de simbologias complexas, que nos permitem múltiplas soluções de descodificação.

Desenho e pintura convivem nas obras de Graça Morais de um modo estimulante. Muitas vezes desafiando-se e colaborando, mantendo identidades diversas mas construindo um discurso coerente. Há histórias implícitas em cada imagem – são narrativas religiosas ou ritualizadas, auto-biográficas, do quotidiano rural arcaico ou mais raramente (e recentemente) introduzindo elementos urbanos. Porém, em cada momento, a tensão formal, entre linha e mancha, traço e cor (coincidindo ou descoincidindo) e também o desejo de síntese dos elementos narrativos torna mais complexos os planos, os espaços e os tempos – de tal modo que cada obra, fazendo-se de uma acumulação de acções deve ser vista, de facto, como a captação de um instante extremamente denso da vida.

Esse instante dramático, capturado em cada imagem (imagem de imagens, tempo de tempos, espaço de espaços...), exibe uma intensidade que nos remete para um expressionismo erudito e histórico mas também popular e arcaico; e exige de nós uma identificação quase física com o motivo, como se, por reflexão e forçadamente, fossemos incluídos na superfície da tela ou do papel.

Lamento da Gaivota à mãe de Vasco da Gama, 2005
Carvão e pastel sobre tela 178 x 208cm

Ouve-se a dor da mãe de Vasco da Gama, transfigurada em gaivota e desumanizada na sua angústia (Lamento da Gaivota à mãe de Vasco da Gama, 1985), sente-se a tensão dos pesos opostos (a razão apolínia e a desrazão dionisíaca) desequilibrando a balança que o Anjo segura (Sophia e o Anjo, 1987). Em Salomé (1987) e Judith (1987) duvidamos das cabeças masculinas que deceparam: sente-se a sombra, quer da troca dos protagonistas quer da consumação, por interposição do mito pagão de Leda, de uma violação não consumada. Nas cenas da Paixão de Cristo, a sobreposição de tempos e corpos, atribui uma forte dimensão de erotismo ao sofrimento (Interdito Transfigurado, 1987 ou O Mistério do Último Instante, 1987, por exemplo).

A inquietante ambiguidade do ser masculino/feminino, detentor de um poder simultaneamente religioso e político que Graça Morais fixa em Mapas e o Espírito da Oliveira (a obra mais antiga da selecção, 1984 ) parece presidir ao conjunto de todas as outras cenas. Do mesmo modo que, na longa série de pinturas sobre papel (O Sagrado e o Profano, 1985-86), parece estar contido o desenvolvimento e complexificação das futuras projecções sobrepostas de tempos, sentidos e espaços de que vimos falando.

Graça Morais concretiza um re-contar de histórias universais eliminando as fronteiras de cada uma delas, não simplificando o mundo da narrativa e da pintura mas enriquecendo-o. Para tal coloca-se muitas vezes atrás de uma máscara e oferece-nos também um lugar atrás das máscaras que pinta: não para se esconder nem para nos escondermos dos outros e do mundo, apenas para o vermos melhor.

João Pinharanda (Comissário)
Bragança, 30 de Junho 2012



A Exposição vai estar patente ao público até 15 de Setembro, nos seguintes horários: de Segunda a Sexta, das 14h00 às 20h00, Sábados e feriados, das 10h00 às 14h00. Encerra aos Domingos.

Acesso: Junto à estrada para Boliqueime, no prolongamento da Rua de Nossa Senhora da Piedade.
Contacto para mais informações: Divisão de Cultura e Património Histórico da Câmara de Loulé: Tel. 289 400 600 E-mail: cmloule@cm-loule.pt