Citação: Lei da intermitência é assunto urgente

Se Gabriela Canavilhas "aceitou o cargo [de ministra da Cultura] é porque quer trabalhar, dar uma volta à cultura", defende Graça Morais. O carimbo de urgente coloca-o na lei da intermitência. "Os artistas, quando ficam sem trabalho, passam por situações de grandes dificuldades. É preciso, que tal como acontece com outros profissionais, também tenham direito a subsídio de desemprego", afirma. É com optimismo que refere uma reunião com José Sócrates em que o primeiro-ministro prometeu dar mais apoio à cultura nesta legislatura do que na anterior.

in Diário de Notícias



Graça Morais inaugura hoje 'A Máscara e o Tempo'


Assim que se entra no número 2C da Rua da Academia das Ciências, em Lisboa, é-se transportado para o universo de Graça Morais. Uma cabra no meio do campo, a sépia, "sentada, à espera com todo o tempo do mundo", explica a pintora, dá início à mais recente exposição da pintora, que hoje se inaugura, às 22.00, na Galeria Ratton.

por MARINA MARQUES

A escolha não foi feita ao acaso. "Uma cabra ou um rebanho é uma das imagens mais bonitas que vejo quando ando a passear", revela a artista. E representa ainda outra realidade que a artista coloca em evidência no conjunto dos 42 trabalhos da exposição, todos realizados este ano: "uma grande reflexão sobre o tempo longo e lento do campo", nas palavras da própria Graça Morais, "um universo contrário à cidade, ao tempo da cidade".

Na segunda sala, uma série de desenhos a carvão revela a metamorfose provocada pelo tempo, "tanto nas pessoas como nas batatas". A pintora explica o porquê desta metáfora: "Faço uma grande analogia entre as batatas, quando começam a grelar e as deitam fora, e as pessoas quando começam a envelhecer, e que aparentemente deixam de ser úteis. Mas tal como eu recupero as batatas, enrugadas e greladas - são as minhas naturezas vivas -, também as pessoas têm outra vida, podem ser 'usadas' de outra maneira".

Na terceira sala, destaque para um diário com sete desenhos, feitos no mesmo dia, "onde estão registados as horas e os minutos em que foram feitos", refere. E os textos, alerta, nada têm a ver com os desenhos. "São sentimentos muito rápidos do que sinto naquele momento, por vezes até com raiva", diz.

Apesar do carácter autobiográfico dos diários e de representarem uma grande exposição perante o público, Graça Morais deixa a promessa de um dia fazer uma mostra só com diários. "Acho que o artista tem a sorte de se poder exprimir livremente e ao mesmo tempo comunicar com as outras pessoas. Quando faço estes desenhos não os posso guardar em pastas, preciso de os mostrar, porque tenho imenso prazer em que haja muitas pessoas a vê-los, gostem ou não", afirma.

Enquanto a prometida exposição não chega, alguns desses diários podem ser vistos no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança, de onde é natural. Esta ligação ao centro não a deixou pintar tanto como gostaria durante o último ano, mas a artista considera que "está a ser muito compensadora". "É a grande oportunidade que me deram de ser útil à sociedade e de dar àquela região aquilo que dela recebi em termos de valores, como pessoa", diz.

A exposição pode ser visitada até 31 de Janeiro, de segunda a sexta, das 10.00 às 13.00 e das 15.00 às 19.30.

in Diário de Notícias


Breve : “Arte Partilhada Millennium BCP”

Millennium artístico:  No dia 17, inserido nos Encontros Millennium, é inaugurado pelas 18 horas a exposição “Arte Partilhada Millennium BCP” no Museu de Arte Contemporânea do Funchal, no forte de São Tiago. A exposição conta com uma mostra de pintura com trabalhos de 41 artistas de destaque, como Júlio Pomar, Bordalo Pinheiro, Paula Rego, Eduardo Nery, Graça Morais, entre outros.


in Jornal da Madeira




Obra "A sibila"é pretexto para celebrar Agustina


O 55.º aniversário da edição do romance "A sibila" é motivo para celebrar a escritora Agustina Bessa-Luís com um ciclo de quatro conversas sobre o seu universo literário, na FNAC do Chiado, em Lisboa. A primeira é hoje, segundaferia, às 18.30 horas.

"Agustina é um desígnio nacional" (ADN) é o mote destas iniciativas. "As artes de Agustina" é o título da primeira conversa, que conta com a participação da pintora Graça Morais, o cineasta João Botelho e da filha da autora, a pintora Mónica Baldaque.

Segundo nota da Guimarães Editores, que chancela os livros da escritora, Agustina "criou uma galáxia de personagens e lugares, de emoções e sensações, de ímpetos e desejos que a tornam única".

A ideia que norteia o primeiro debate é a "plasticidade" da obra de Agustina Bessa-Luís, que, fascinada pelo pintor holandês Rembrandt, escreveu "A ronda da noite", a cumplicidade com a pintora Vieira da Silva, que levou à publicação de "Longos dias têm cem anos", além do interesse que despertou em cineastas como Manoel de Oliveira e João Botelho. "Agustina 'dá a ver' através da escrita", lê-se no mesmo documento.

No dia seguinte, à mesma hora, a conversa gira em torno da galeria de personagens, masculinas e femininas, de Agustina, que, segundo a Guimarães, "rivaliza com as de Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós". Nesta conversa, participam os escritores Patrícia Reis, Inês Pedrosa e Francisco José Viegas.

Depois de amanhã, os escritores Lídia Jorge, Filipa Melo e Miguel Real, sob a moderação de Helena Vasconcelos, falam sobre "Agustina e as relações de poder".

Nos romances de Agustina, segundo a Guimarães, "nada é pacífico", havendo "inúmeras batalhas nos seus livros".

Entre as suas obras, a Guimarães Editores refere o fascínio por políticos como o Marquês de Pombal, em "Sebastião José", ou Francisco de Sá Carneiro, em "Os meninos de oiro".

O ciclo encerra no sábado, com a quarta conversa, desta feita, em torno de "Os aforismos de Agustina" e com a participação do escritor Pedro Mexia, a ensaísta Maria Helena Padrão e o cronista José Manuel dos Santos.

Agustina Bessa-Luís, de 87 anos, estreou-se na ficção em 1942, com "Mundo fechado", tendo, desde então, publicado dezenas títulos, desde ficção, biografias, ensaios, literatura de viagens e teatro até literatura juvenil, que lhe valeram vários prémios nacionais e internacionais, designadamente o Prémio Camões, em 2004.


Ler também: As Metarmofoses

«As Metarmofoses - um livro a duas mãos de Agustina Bessa-Luís e Graça Morais - é um projecto, nascido de outro...que não foi avante. Esse outro visava assinalar o cinquentenário da 1ªedição de A Sibila (1954) , e foi a própria Agustina a contactar Graça Morais, convidando-a a ilustrar a nova edição.»

Maria Agustina Bessa Luís - Portuguese writer

born Oct. 15, 1922, Vila Meã, Port.

novelist and short-story writer whose fiction diverged from the predominantly neorealistic regionalism of mid-20th-century Portuguese literature to incorporate elements of surrealism.

The best-known of Bessa Luís’s early novels is A Sibila (1954; “The Sibyl”), which won the Eça de Queirós prize and in which the boundary between physical, psychological, and ironic reality is tenuous and the characters gain an almost mythic quality. In Bessa Luís’s fiction, notions of time and space become vague, and planes of reality flow together, dimming the sense of a logical order of events. Her prose has been called “metaphysical” and “ultra-psychological,” and the influence of Marcel Proust and Franz Kafka may be distinguished in the fictional worlds she created.

Other well-known novels of Bessa Luís include Os incuráveis (1956; “The Incurables”), A muralha (1957; “The Stone Wall”), O susto (1958; “The Fright”), O manto (1961; “The Mantle”), and O sermão de fogo (1963; “The Sermon of Fire”). She remained a prolific novelist through the turn of the 21st century, and in 2004 she received the Camões Prize, the most prestigious prize for literature in Portuguese.



Centro de Arte Contemporânea Graça Morais: 'As três faces de Cutileiro'


Mostra em Bragança com escultura, desenho e fotografia

GLÓRIA LOPES

Abre hoje ao público, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança, uma exposição de João Cutileiro, que abarca três das linguagens usadas pelo artista, concretamente a escultura, o desenho e a fotografia.

Mal se transpõe a porta de entrada daquele centro de arte, surgem dois poderosos guerreiros, erguidos peça a peça depois de cinzelados no mármore pequenos paralelepípedos. A escultura é o grande sinal distintivo de João Cutileiro, mas é a fotografia que marca a diferença desta exposição, por se tratar de uma expressão menos divulgada na obra do artista.

A fotografia surgiu cedo na carreira do escultor, contudo, teve períodos de menos regularidade do que as outras duas, e, sobretudo, teve menos divulgação, por ter estado mais afastada do percurso expositivo.

O rés-do-chão do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais recebe cerca de 30 fotografias, retiradas das paredes da casa do escultor, que constituem apenas uma pequena parte da vasta produção de retratos que produziu ao longo da vida, do qual se destacam os de figuras gradas das artes e letras, como os pintores Vieira da Silva e Arpad Szenes, a escritora nobelizada Doris Lessin, o escultor Rui Chaves, a artista plástica Fernanda Fragateiro ou a actriz Maria do Céu Guerra.

Há muitos mais para ver. Esta série de retratos foi apresentada pela primeira vez em 1961, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, também em conjunto com a escultura e o desenho, tal como em Bragança.

A exposição foi comissariada por José Alberto e Jorge Costa, director do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, que explicou que a maior preocupação foi "mostrar" o trabalho fotográfico de João Cutileiro. "A fotografia sempre acompanhou o trabalho dele, desde cedo. Aliás, ele sempre procurou formas que acelerassem o processo criativo, mesmo na escultura, e a fotografia permite-lhe isso mesmo", referiu Jorge Costa.

Trata-se de um trabalho que poucas vezes foi mostrado, apesar das centenas de exposições que o escultor fez ao longo da carreira.

Esta é a quarta ou quinta vez que as fotografias são apresentadas publicamente. Mantém-se como uma faceta do artista quase desconhecida pelo grande público. "Esta exposição é extraordinária também por isso", acrescentou o director do centro de arte brigantino.

Apesar de ser um registo menos imediato do que a fotografia, os desenhos que fazem parte desta exposição de Cutileiro eternizam uma série de instantes eróticos femininos, uma espécie de citações evocativas dos traços da Olympias de Manet ou da Vénus de Boticelli.

Estes desenhos ocupam as paredes da bela sala do primeiro andar, que nasceu do traço do arquitecto Souto Moura. Também ali está patente a escultura talhada em blocos de mármore de tons rosados, que denunciam os distintos graus de acabamento de cada uma. Mais polidas umas, outras revelando as imperfeições da pedra e as marcas dos cortes feitos pela rebarbadora. Pássaros, peixes, figuras humanas e árvores são os temas predominantes.

A exposição mantém-se patente até ao dia 10 de Janeiro.

in Jornal de Notícias


Anos 70 - Atravessar Fronteiras


A Bandeira Nacional, Grupo Puzzle, 1976*

Nesta exposição mostra-se a produção artística portuguesa da década de 70, uma época particularmente fecunda para a história da cultura e das artes visuais em Portugal.

Um período marcado por uma fortíssima carga política inspirada pela Revolução do 25 de Abril de 1974 e pela vivência dos primeiros anos de democracia.

Além de trabalhos de mais de 80 artistas, a mostra integra trabalhos de dois grupos - o Grupo Puzzle (Porto), onde pontuavam Graça Morais e Gerardo Burmester, entre outros; e do Grupo Acre (Lisboa), onde figuravam nomes como os de Lima de Carvalho, Clara Meneres e Alfredo Queiroz Ribeiro.

Entre os trabalhos expostos contam-se uma intervenção de Ana Vieira, que não expunha desde os anos 1980, e uma obra do escultor Alberto Carneiro que esteve exposta na galeria Quadrum e que acabou por ser destruída.

Uma escultura de José Aurélio, que esteve exposta na galeria de arte moderna em Belém e que ardeu em 1983, e que o escultor refez agora totalmente pode também ser vista nesta exposição.

Obras de Túlia Saldanha, cartazes políticos, fotografias da performance "Homo Sapiens" feita por Alberto Pimenta no Jardim Zoológico em 1975 com uma gravação do texto publicado na & Etc lido pelo poeta...

Uma interessante exposição para ver no Centro de Arte Moderna, na Gulbenkian, até 3 de Janeiro.

*Grupo Puzzle Fundado em 1975, por nove artistas e um crítico de Arte (Albuquerque Mendes, Armando Azevedo, Carlos Carreiro, Dario Alves, Fernando Pinto Coelho, Jaime Silva, João Dixo, Pedro Rocha e Graça Morais.

Rua Dr. Nicolau de BettencourtLisboa
Tel. 21 782 34 74
10h00 - 18h00
4 €
www.gulbenkian.pt
camjap@gulbenkian.pt



Centro de Arte Contemporânea Graça Morais galardoado com prémio internacional de arquitectura



É mais um prémio para o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, de Bragança.

O arquitecto que projectou o edifício venceu um prémio de arquitectura na Finlândia.

Souto Moura foi galardoado pelo The Chicago Athenaeum Museum of Architecture em parceria com o The European Centre for Architecture Award for 2009.

Trata-se de um prémio de arquitectura dos mais prestigiados a nível internacional, na vertente da construção moderna.

Em apreciação estavam mais de mil projectos de todo o mundo.

O júri, reunido em Helsínquia, decidiu premiar o projecto do Centro de Arte Contemporânea.

Quem ficou satisfeito foi o presidente da câmara de Bragança.

“A atribuição deste prémio ao arquitecto Souto Moura com o projecto de Centro de Arte Contemporânea é um sinal muito positivo para Bragança. Esta iniciativa premeia o bom desenho urbano.”

Além do prémio, a partir de Novembro, os trabalhos galardoados vão integrar uma exposição itinerante que vai percorrer toda a Europa.

Para Jorge Nunes esta distinção vai trazer mais gente a Bragança para visitar o espaço.

“Normalmente, com os projectos seleccionados fazem exposições itinerantes. A nossa cidade vai estar em diversos locais da América e da Ásia, eventualmente. E o nome de Bragança vai surgir a partir de um projecto de referência. E vai chamar gente. É um chamariz para os investigadores e estudantes de arquitectura. É uma mais-valia.”

De recordar que já no ano passado o Instituto de Turismo de Portugal tinha atribuído um prémio ao Centro de Arte Contemporânea.

in Brigantia

Centro de Arte Contemporânea Graça Morais  - link


Graça Morais, Pinturas e Desenhos 2008 na Galeria do JN - Porto



Oito telas a óleo e 23 desenhos criados no último Verão, em Trás-os-Montes, constituem a mostra que Graça Morais expõe na Galeria JN, no Porto. Trabalho resulta de uma reflexão sobre o quotidiano das pessoas que rodeiam a pintora.

A entrada é livre. Aberta ao público até 14 de Dezembro.


Edifício JN, R. Gonçalo Cristóvão, 195 4049-011 Porto. Horário: 2ª a 6ª feira, das 12,30h às 19,30h / Sábados, Domingos e Feriados das 15h às 20,00h segunda a sexta, das 12h30 ás 19h30 sábados, domingos e feriados das 15h às 20h

Artigos de Imprensa

JN: Galeria de fotos Inauguração

JN: Graça Morais inaugurou exposição na Galeria JN

JN: Galeria JN - Graça Morais, Pinturas e Desenhos 2008

JN: Graça Morais: "É necessário resistir"

Respiração suspensa por Manuel António Pina



Respiração suspensa

"Não é sem um tremor que o homem ousa olhar um rosto, pois este existe, antes de tudo, para ser olhado por Deus". Max Picard, Le visage humain

Portas para o invisível, os rostos que nos olham nestas pinturas, mesmo quando os seus olhos nos evitam ou nos ignoram, fecham-nos algo irremediável e inominável. Mais do que rostos, são antes máscaras, "êxtases imóveis" em que se inscrevem mundos interiores onde não nos é dado alcançar. Também a pintura é uma máscara, e também ela desamparada. Também ela, quando desvela, oculta. Porque a pintura vê mas não sabe (e como poderia ela saber?).

A pintura de Graça Morais sempre perscrutou rostos, a sua linguagem silenciosa. Como nenhuma outra pintura portuguesa contemporânea, o acto de pintar é, em Graça Morais, fundamentalmente um acto de paciente amor, pois que, como escreve Max Picard, "só na atmosfera do amor um rosto humano se conserva como Deus o criou, como imagem sua". Que esses rostos sejam obsessivamente rostos de mulheres permite talvez (mas que sei eu?) vislumbrar o sentido inquieto da sua pintura, re-ligando (pois suspeito que há por aqui algo de fundamente religioso) anima e espírito, sentimento e razão, tempo e eternidade, existência e transcendência.

Um grande luto (sob todas as suas formas, as da morte como as da vida), uma dor muda, cobrem agora como um véu rostos macerados pela usura dos dias. Mesmo os olhos, singularmente poupados, nos desenhos, à brutalidade gestual da pintura, olham cegamente para dentro, mais do que para fora e, se nos fitam, parecem ver para lá de nós. A pintura de Graça Morais é aqui, provavelmente mais do que nunca (repito: mas que sei eu?), uma arte de silêncios, de lábios fechados, do pudor da palavra dita. Num dos quadros, uma mão tapa a boca reprimindo um grito; noutro, um ramo de flores protege um segredo apenas murmurado; noutro ainda, as flores ocultam inutilmente a evidência da morte. As próprias cores (castanhos, rubros, negros), densas e sólidas, às vezes expressionistas, como, do mesmo modo, a matéria simbólica presente na decomposição e metamorfose dos corpos, parecem querer obstar a qualquer ruído (há quem julgue que a pintura não tem som, mas o que há mais para aí é pintura barulhenta) de representação para além do processo figurativo.

Porque também a pintura é usura. Também ela, pelo menos esta, olha para dentro de si. E o que vê, suspendendo a respiração, é tempo, memória (incluindo, inevitavelmente, a memória da própria pintura), murmúrios, fragmentos. Do lado de lá da morte, a Eternidade (não aparece ela paradamente a Daniel sob a forma de velho?) deve ser, acho eu, assim.

Porto, 24/09/08
Manuel António Pina

in Catálogo " Graça Morais, Pinturas e Desenhos 2008"

Graça Morais: "É necessário resistir" por Agostinho Santos

Oito telas a óleo e 23 desenhos criados no Verão passado, em Trás-os-Montes, constituem a mostra a inaugurar hoje, às 18.30 horas, na Galeria do Jornal de Notícias, no Porto. Trabalho resulta da reflexão sobre o quotidiano das pessoas que rodeiam a pintora


No Verão passado, Graça Morais não teve descanso. Refugiou-se no silêncio do seu ateliê de Trás-os-Montes e, de manhã à noite, trabalhou, concebendo um conjunto de pinturas e desenhos que corporizam, de novo, os corpos das mulheres da sua região e, principalmente, o rosto esguio, belo, da sua mãe, Alda, que simboliza, na obra da artista, a Terra.

Corresponde mesmo, segundo confidenciou a pintora nesta entrevista, ao "espelho de uma personalidade intensa, própria da identidade feminina da minha região".

Graça Morais: "É necessário resistir"

O resultado deste intenso, quase obsessivo, diálogo entre Graça Morais, as telas, os papéis, os óleos e os pastéis é a exposição que inaugura hoje, às 18.30 horas, na Galeria do Jornal de Notícias, no Porto. São trabalhos recentes que proporcionam uma perspectiva rigorosa sobre a obra daquela que é considerada uma das maiores pintoras portuguesas, que garante que "é necessário resistir e insistir com coragem, porque vivo num país com um espaço físico mental e económico muito reduzido". A mostra está patente até 14 de Dezembro.

Em que consiste esta exposição? Que temas privilegia?

Esta exposição é constituida por oito telas a óleo e 23 desenhos sobre papel. Foram realizados no meu ateliê de Trás-os-Montes e resultam de uma reflexão sobre o quotidiano das pessoas que me rodeiam, associando imagens que recolho dos média com objectos e formas da natureza.


A mulher rural ainda surge como protagonista na sua obra. Porquê? Qual a mensagem?

Estes quadros são representações de rostos humanos, máscaras que pertencem ao mundo da montanha e que vivem numa luta diária com uma paisagem rude e harmoniosa.

A sua mãe é um dos seus modelos mais frequentes. Porquê?

A minha mãe simboliza a Terra. Sinto uma grande identificação com o seu rosto, espelho de uma personalidade intensa, própria da identidade feminina da minha região.

Cria, muitas vezes, uma espécie de metamorfose entre mulher e bichos, nomeadamente gafanhotos e pássaros. Qual a relação?

Neste lugar, cohabitam, numa profunda simbiose, animais e homens. A metamorfose entre a mulher e as formas animais é sempre o resultado da transformação da matéria, está associada à memória e ao tempo.

A sua linguagem mais fiel é o desenho ou a pintura? Com qual se sente melhor, ou seja, mais autêntica?

Sinto uma relação muito profunda e imediata com o desenho. Rabiscar é encontrar imagens, é encontrar-me num jogo de descoberta, de grandes surpresas.


Como surgem os temas no seu trabalho? A guerra e a violência já foram tratadas na sua obra. Tratou-as, essencialmente, como forma de denúncia?

Estou atenta a tudo o que se passa à minha volta, seja no meu pequeno mundo, seja no planeta que habitamos e a minha pintura resulta de imagens fragmentadas dessa realidade.

A sua relação com Trás-os-Montes mantém-se? É uma relação umbilical?

Pertenço a este lugar, que, desde a infância, me marcou profundamente. Aqui, aprendi a andar, a falar, a cantar, a rezar e as primeiras letras. Também aqui comecei a despertar para o desenho. Mantenho uma relação de grande identificação com este território geográfico e afectivo.

O silêncio, o recolhimento parecem ser muito importantes, talvez fundamentais, no seu momento de criação. Porquê?

É fundamental para mim trabalhar num ambiente de silêncio e absoluta concentração na minha pintura. Nesta fase da minha actividade criativa, ter tempo e silêncio são luxos pelos quais luto com persistência.


Ser mulher/artista em Portugal é complicado nos dias de hoje?

É complicado ser artista, seja mulher ou homem. É necessário resistir e insistir com coragem, porque vivo num país com um espaço físico mental e económico muito reduzido.

O que esteve na origem da criação do Centro de Arte Graça Morais, em Bragança? Está satisfeita com os resultados/adesão do público obtidos nos primeiros meses de existência?

O Centro de Arte Contemporânea recebeu o meu nome por proposta do presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, que foi aceite em Assembleia Municipal por unanimidade. Este centro dá resposta a uma política de desenvolvimento cultural sustentável, num projecto transfronteiriço entre as cidades de Bragança e de Zamora. O êxito de público e visitantes nacionais e estrangeiros ultrapassou as expectativas mais optimistas.

Que conselhos dá aos jovens criadores?

Não dou conselhos, sugiro que desenvolvam os seus talentos inatos com muito estudo e perseverança no trabalho.

A crise afecta a arte?

Qual crise? A dos valores éticos? Nas crises económicas do passado, desenvolveram-se interessantes perspectivas de mercado, sendo as obras de arte um valor seguro de investimento.

Em termos futuros, tem já alguns projectos de trabalho?

Não gosto de falar publicamente dos meus projectos antes da sua concretização.

Como encara a questão da morte? Tem medo de morrer?

A morte é inevitável, é uma senhora que não convido para jantar !


Fonte: JN

Graça Morais na Fundação Júlio Resende - Lugar do Desenho

Graça Morais
Desenhos do Mar e da Terra |1983 - 2007


Quando se anuncia uma exposição de Graça Morais nunca se trata de mais uma exposição. É precisamente o caso presente. A artista cultiva o confronto com uma naturalidade surpreendente. Imparável na busca da Verdade mais Verdadeira, é no panorama da arte portuguesa um caso paradigmático de robusta determinação em avançar sem cedências a um mundo desacreditado pela manipulação de objectivos nem sempre compreensíveis. O desenho é sempre um sinal da verdade resultado de complexas forças do instinto para um significado de linguagem. Graça Morais está no lugar certo, estando no Lugar do Desenho.

Resende



Desenhos do Mar e da Terra

“Vale a pena viver porque o Mundo, apesar de tudo,
apesar de todos os seus problemas, é um dom extraordinário(…)”
Sophia de Mello Breyner Andresen


Estes desenhos sobre tela, lona e papel resultam de uma viagem por territórios situados na Terra e no Mar.

São desenhos feitos num ambiente de grande recolhimento, de muito silêncio, de uma absoluta atenção às pessoas, aos objectos e a diversas formas da natureza. É com grande satisfação que junto pedaços de um grande puzzle que venho a construir com teimosia e dedicação ao longo de muitos anos. Ainda bem que posso vê-los neste espaço, Lugar do Desenho, um sítio cheio de significado e de enorme importância onde podemos ver, estudar e admirar a Obra do Mestre Júlio Resende. Cabe-me a Sorte de partilhar com o Mestre este lugar graças à sua generosidade e amável convite.

Júlio Resende foi o meu primeiro Mestre. Recordo-o nos finais dos anos sessenta, na sala de aula de Pintura da Escola de Belas Artes do Porto fumando o seu aromático cachimbo, olhando atentamente os quadros dos seus alunos. Lembro-me como ele se sentia pouco à-vontade quando tinha de dar opinião sobre a minha desajeitada pintura – o desconhecimento era grande mas o desejo e a determinação era superior. Um dia o Mestre visitou a aula de desenho do Professor Tito Reboredo, viu os meus desenhos e admirado perguntou-me porque é que eu lá em cima, na aula de pintura, não pintava como desenhava. Eu respondi porque não sabia e não era capaz de o fazer.

A verdade é que cheguei e chego ao Desenho mais depressa do que à Pintura. Desenho como respiro, numa relação simples, directa e emotiva com o papel. A Pintura coloca-me maiores dúvidas, cria em mim grandes angústias e inquietações. Com esta exposição pretendo mostrar a minha admiração pelo Pintor Júlio Resende, pela sua integridade e sabedoria como Homem e Artista.

Graça Morais




Exposição com a colaboração do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais - Bragança

LUGAR DO DESENHO | FUNDAÇÃO JÚLIO RESENDE
Rua Pintor Júlio Resende, 346 4420-534 Valbom Gondomar Portugal Tel. +351 224 649 061/ 2 Fax +351 224 630 325 www.lugardodesenho.org e-mail: info@lugardodesenho.org | 25 OUT 2008 - 03 DEZ 2008

Graça Morais no Lugar do Desenho

Obras concebidas entre 1983 e 2007 constituem a mostra "Desenhos do mar e da terra", para ver em Gondomar

AGOSTINHO SANTOS

São desenhos que transformam em protagonistas mulheres de Trás-os-Montes e os homens do mar de Sines. Graça Morais mostra assim "Desenhos do mar e da terra", no Lugar do Desenho, em Gondomar.

É uma exposição que integra desenhos concebidos entre 1983 e 2007. Mas a pintora confidenciou ao JN que "Desenhos do mar e da terra" tem uma leitura muito especial, muito íntima, afectiva mesmo, porque se realiza no Lugar do Desenho/Fundação Júlio Resende, instituição cujo patrono foi o seu primeiro mestre ainda quando Graça, com 20 anos era aluna na Escola de Belas-Artes do Porto.

Trata-se de uma mostra que se realiza com dois anos de atraso e que se concretiza por solicitação do próprio Júlio Resende, por isso, "houve o cuidado de fazer coincidir com o aniversário do mestre", explica Graça Morais. "Desenhos do mar e da terra" assinala também o regresso da pintora ao Porto e consequentemente o reencontro com a Escola Superior de Belas-Artes do Porto (ESBAP) e com a figura mítica de Resende que durante vários anos representou a referida escola.

Graça Morais admite que a presente exposição seja também uma espécie de homenagem ao seu mestre, ao primeiro mestre, de quem, aliás, acrescenta "é admiradora e por quem tenho grande consideração. Mestre Resende foi sempre uma pessoa de enorme delicadeza e manteve atitudes de uma grande integridade, sendo naturalmente um lutador pela implementação da arte".

Integrando cerca de 40 desenhos sobre tela, lona e papel, as obras foram concebidas, de acordo com Graça Morais, num ambiente de grande recolhimento, "de muito silêncio, de uma absoluta atenção às pessoas, aos objectos e a diversas formas da Natureza."

A pintora diz mesmo que "é com grande satisfação que junto pedaços de um grande puzzle que venho a construir com teimosia e dedicação ao longo de muitos anos. Ainda bem que posso vê-los neste espaço, o Lugar do Desenho, um sítio cheio de significado e de enorme importância onde podemos ver, estudar e admirar a obra do mestre Júlio Resende".

No texto inserido no catálogo que acompanha a exposição, Resende escreve que "quando se anuncia uma exposição de Graça Morais, nunca se trata de mais uma exposição. É precisamente o caso presente. A artista cultiva o confronto com uma naturalidade surpreendente. Imparável na busca da verdade mais verdadeira, é no panorama da arte portuguesa um caso paradigmático de robusta determinação em avançar sem cedência a um mundo desacreditado pela manipulação de objectivos nem sempre compreensíveis".

Resende explica que "o desenho é sempre um sinal da verdade resultado de complexas forças do instinto para um significado de linguagem."

Jornal de Noticias

Portugueses nos confins da Rússia por Guilherme d'Oliveira Martins

Expedição. Começou em Cracóvia, e passou por Moscovo e Sampetersburgo, a embaixada cultural ?Os Portugueses ao Encontro da sua História', promovida pelo Centro Nacional de Cultura. O presidente da instituição, Guilherme d'Oliveira Martins, conta aos leitores do DN como foi a experiência

O jovem Damião de Góis, em missão diplomática no tempo de D. João III, em 1523, não se apercebeu, por certo, da extraordinária revolução que estava a operar-se na cidade de Cracóvia, capital do reino polaco, com a hipótese de Copérnico sobre o movimento da terra. Cracóvia é uma cidade acolhedora, com pessoas afáveis e hospitaleiras. Aqui começou este ano a embaixada cultural do Centro Nacional de Cultura "Os Portugueses ao Encontro da sua História". Um grande amigo, Jacek Wosniakowski, companheiro do cardeal Woytila, primeiro Presidente da Câmara depois de 1989, ensinou-me a ter uma especial ternura pela cidade. Não pude vê-lo, mas estive na "sua" Villa Decius, com Danuta Glondys, recordando os seus ensinamentos.

A cidade plana aconselha as caminhadas. Depois de descermos do Castelo de Wawel, encontramo-nos na Rua dos Cónegos. Pela tarde os turistas acotovelam-se e têm de se afastar à passagem das carruagens puxadas a cavalos. Passamos pela igreja jesuítica de S. Pedro e S. Paulo, por Santo André, e chegamos a Rynek Glówny, a maior praça europeia com o velho mercado de panos ao centro e a Basílica de Maria Santíssima (Mariacki), construída pelos burgueses da cidade, com duas torres, onde de hora a hora soa um toque de clarim. Se a Catedral em Wawel invoca a monarquia, a Basílica proclama a importância do burgo e dos seus comerciantes: nartex barroco, vitrais do século XIV, intervenções de estilo Sacro Império, decoração arte nova. Os estilos misturam-se, mas todas as atenções vão para a extraordinária obra de Veit Stoss, o maior retábulo gótico existente na Europa, realizado entre 1477 e 1489, em madeira de carvalho e tília - que representa a Dormição, a Assunção e a Coroação de Maria. As cinco máquinas retabulares constituem o fulcro dos altares-mores. E o movimento dos apóstolos parece dever-se à visão simultânea que têm de vários tempos, o dos céus e o da terra, ao modo de Santo Agostinho.

O cosmopolitismo de Cracóvia é marcante. Objectos e memórias associam-se. O astrolábio árabe de 1054; a Biblioteca do Collegium Maius; a referência de Justus Decius, secretário do rei Segismundo e amigo de Desidério Erasmo e de Martinho Lutero; os ensinamentos do rabino Mojzesz Isserles (Remuh); o mecenato dos Czartoryski (a quem se deve o Museu de Arte, onde vimos a Dama do Arminho de Leonardo e "Paisagem com samaritano" de Rembrandt); a poesia de Adam Mickiewicz; as sinagogas do bairro judeu de Kazimierz de raízes antiquíssimas (desde o século X e depois do século XV com a chegada dos sefarditas peninsulares), a presença bem próxima do papa João Paulo II - tudo isso pudemos recordar, calcorreando as ruas da cidade e gozando as margens verdes do Vístula.

Chegados a Moscovo

Entrados no Hotel Metropol, ingressamos num mundo outro. O Metropol foi um dos estabelecimentos que albergaram, após a revolução, numa cidade já esquecida de ter sido capital, o Governo bolchevique de Lenine. A criação do burgo deveu-se no século XII à iniciativa de Yuri Dolgoruki, filho do grão-duque de Kiev, Vladimir Monomarkh, e as fortificações do Kremlin na colina de Borovitskii datam do século XVI. O calor do Sul da Polónia cedeu lugar a um tempo instável nesses primeiros dias de Setembro. Depois de uma refeição acolhedora, na monumental sala de jantar do hotel, passeámos nas imediações da Praça Vermelha e em frente ao Teatro Bolshoi.

Render da guarda

Junto ao túmulo do soldado desconhecido, o sol espreita timidamente, entre as nuvens. O Kremlin de Moscovo é o símbolo do império e está associado a Ivan, o Terrível (1530-1585), que a guia, cuidadosamente, designa como temível, como mandam as boas regras. Ao visitarmos a Catedral das Coroações ou da Dormição da Virgem, deparamos com o esplendor da arte russa tradicional. Grupos de visitantes de todo o mundo cruzam-se. Ícones representam mais de cem santos. Sentimos a força da Terceira Roma, que sucede a Roma e a Constantinopla, como projecto eterno, como a Terceira Idade de Joaquim de Flora. O iconostase (que nos separa do altar) apresenta cinco níveis - o do Antigo Testamento, com Patriarcas e Profetas; o dos Apóstolos; o da Paixão de Cristo; o da Deesis (em torno da glorificação do Cristo Pantocrator e da Virgem Hodegetria, que indica a via libertadora ao apontar para Seu Filho); e, por fim, o dos ícones locais. As três catedrais do Kremlin de Moscovo representam, no papel que tiveram ao longo dos tempos, a sucessão dos ritos da vida: a da Anunciação como local dos casamentos e baptizados da família imperial, a da Dormição da Virgem para as coroações e a de S. Miguel Arcanjo para o rito da morte.

Graça Morais realizou os painéis de azulejos de uma das entradas da estação do metro de Bielorusskaya, uma das mais importantes e emblemáticas da rede que foi concebida em termos monumentais, num estilo neo-clássico e realista. Rostos de gente comum, de uma beleza e de uma simplicidade tocantes, contrastam com as representações dos operários e dos camponeses, dos soldados e dos marinheiros e as estátuas épicas. Há um apelo à humanidade de uma cidade diferente, de pessoas concretas. Se somos transportados na mítica estação, numa viagem histórica, à cidade de Estaline, com a obra da pintora portuguesa, tomamos contacto com a modernidade e o cosmopolitismo. Depois de homenagearmos Graça Morais, dedicámo--nos à Galeria Tretyakova, onde podemos usufruir da arte russa desde o século XII ao século passado. A colecção é um deslumbramento, sinal de uma cultura riquíssima. António Quadros em Uma Visita à Rússia - Impressões e Reflexões (Lisboa, 1969) afirma recordar "as multidões sorumbáticas e caladas (…). Recordo os sonhos, as aspirações, as exaltações, as euforias e a animação dialéctica dos livros de Gogol, Dostoievsky, Tolstoi ou Tchekov. Total desfasagem. No entanto, o povo russo sabe recolher-se nostalgicamente na sua ducha (a alma individual), faz sentir o seu espírito religioso nas tão belas melodias folclóricas que continua a cantar". À distância, o ensaísta soube captar o essencial de uma sociedade apta a renascer. A pujança artística, a criação literária e filosófica, a capacidade de olhar o que é realmente importante são evidentes, como vimos no Museu Pushkin, pela clarividência dos grandes coleccionadores de há um século (Shchukin e Morozov, que apoiaram as novas tendências da melhor arte europeia, até Matisse e Picasso). Ao sair de Moscovo, passamos pela casa de Morozov - surpreendente homenagem ao Portugal romântico e revivalista do neo-manuelino e de Monserrate… Levamos a recordação duma cidade movimentada, que nestes dias era o centro das notícias do mundo, pela crise da Geórgia e pela afirmação do Governo russo. Mas isso não impediu que o embaixador Manuel Marcelo Curto, apesar das preocupações, pudesse apoiar-nos com grande simpatia e hospitalidade. Lembrámos Jaime Batalha Reis, amigo de Antero, que nos representou na corte imperial e perante o governo revolucionário de 1917. E não esquecemos Jaime Magalhães de Lima, que visitou o seu mestre Tolstoi, relatando em Cidades e Paisagens (Porto, 1889) esse encontro memorável.

Rumamos a Sampetersburgo

É uma cidade espectacular. Foi construída por Pedro, o Grande, com um duplo objectivo: aproximar o povo russo da Europa e do cosmopolitismo e impressionar como capital de um império de tipo novo. O centro histórico, as margens do Neva, os canais, os monumentos, os palácios, a Nevski Prospect, o Ermitage, o forte de S. Pedro e S. Paulo, a flecha do Almirantado, a cúpula de Santo Isaac, o fantástico Museu Russo, no Palácio Mika-hilovski, a Catedral do Sangue Derramado - tudo nos acolhe com magnanimidade. E no rasto da presença portuguesa, andámos sempre com o precioso livro de Rómulo de Carvalho Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII (Sá da Costa, 1979) nas mãos, fonte inesgotável de informações. Começámos por lembrar António Manuel Luís Vieira, amigo de Pedro, o Grande, que este conheceu em Londres e que foi general-ajudante às ordens e chefe da Polícia de Sampetersburgo. No entanto, o conde Vieira caiu em desgraça depois da morte do czar, tendo sido deportado para a Sibéria, onde faleceu. A grande referência é, porém, António Ribeiro Sanches, que esteve durante dezasseis anos na corte (até 1747) com funções médicas muito relevantes e com influência decisiva nos domínios científico e educativo. Quando Catarina II subiu ao trono, já Sanches estava em Paris, a czarina atribuiu-lhe uma tença de mil rublos e designou-o seu conselheiro, tendo-lhe solicitado pareceres fundamentais nos domínios educativo e científico. No teatro do Ermitage, recordámos Luísa Todi que aí cantou para Catarina II de 1784 e 1788, que, encantada, a presenteou com uma fabulosa colecção de jóias que viria a perder-se no desastre da Ponte das Barcas (1809). E temos de referir ainda Juliana Luísa de Oyenhausen (1782-1864), filha da marquesa de Alorna, que casou em 1828 com Grigory Stroganov e viveu no mais célebre dos palácios da Avenida Nevski.

Um dia inteiro no Ermitage, o Palácio de Inverno, é pouco, mas é uma experiência única. É a obra-prima do arquitecto Rastrelli. Aqui está o fundamental da arte europeia: Leonardo, Rafael, Caravaggio, Belotto, Velásquez, a maior colecção de Rembrandt, que inclui O Filho Pródigo, até Cezanne, Picasso e Matisse. Uma colecção fantástica de artes decorativas, jóias, artefactos, antiguidades, tudo… Mas ver Sampetersburgo, sentir a sua grandeza mítica, é visitar ainda, como fizemos, o Palácio de Verão de Catarina, o Palácio de Pedro (Peterhof) e o Palácio de Paulo (Paulovsk), que prolongam em registos diversos a ambiência de um setecentismo fulgurante, barroco, neo-clássico. E quando fomos a Novgorod, cidade do século X, uma das matrizes da cultura russa, com a catedral bizantina de Santa Sofia, sentimos confronto, contraste e ligação entre o Oriente e o Ocidente.

Diário de Notícias

Na Rota Do Sagrado - Entrevista Graça Morais

Por Ana Marques Gastão


Graça Morais. Oito telas a óleo e 23 desenhos (dois de grande formato) e colagens integram a exposição de inéditos que Graça Morais inaugura, hoje, às 18.30, na Galeria DN, em Lisboa. A mostra ficará patente até 8 de Novembro, seguindo depois para a Galeria JN no Porto

A terra esteve sempre presente na sua obra. É como se ela se tivesse tornado nestes trabalhos hiper- - real e mais angustiada...

Talvez porque a morte se dê a ver de uma forma mais densa. Pinto em grande inquietação. Quanto mais envelheço, mais tenho a sensação de que a terra nos dá a vida e a morte. O tempo é limitado. Tenho vindo a isolar-me, sobretudo em Trás-os-Montes, desde que fiz 60 anos. Vivemos num planeta pequeno, invadido pela globalização, onde somos obrigados a ter uma imensa força, insuficiente para a nossa tão grande fragilidade. A fragilidade assusta, mete medo. Sentimo-la na solidão, na doença, nos cataclismos ambientais, numa ética que deixou de o ser e que coloca novas questões à Humanidade e, por sua vez, à arte.

É como se nestas imagens a terra suportasse um peso imenso?

O Céu é pesado, ameaçador. Represento-o assim, muito realista, num quadro onde se vêem uma batata em putrefacção que é o tempo, a passagem dos dias, a vida que se degrada. Ao lado, visualiza-se uma criança de cera - das promessas religiosas -, um açucareiro, que era da minha avó paterna, e um homem fardado, figura ameaçadora sem nome. Estes quadros são fragmentários e resultam de um grande isolamento. Gostaria que a minha pintura revelasse ideias, sensações da minha experiência do mundo.

Talvez por isso, surja a colagem em alguns destes quadros?

Sim, vou combinando fragmentos que têm a ver com a representação do rosto, da máscara, dos elementos vegetais e de figuras que são o resultado de imagens de catástrofes que recupero das primeiras páginas dos jornais. Pergunto-me porquê estas e não outras, uma vez que são iguais em todo mundo? Será da globalização, mas são aquelas que querem que vejamos.

Prosseguiu, de um modo mais denso, o diálogo entre sagrado e profano já presente na sua obra?

Mais do que qualquer outra anterior, esta pintura é religiosa. De alguma forma, contém a minha verdade interior e, nesse sentido, dir-se-ia intimista. Parte do meu mundo, de figuras que me são familiares como a minha mãe, e nela as cores tornam-se ideias, símbolos. Em Agosto, estive na Rússia, em Moscovo, em São Petersburgo, e na Polónia, em Cracóvia, a convite de Guilherme d'Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura. Nessa viagem - em que vi a minha participação em painéis de azulejo na estação Bielorússia do Metro de Moscovo - compreendi o significado dos meus quadros quando entrei nas igrejas ortodoxas e ouvi os cânticos.

Mas é algo que não encontra nas igrejas católicas romanas?

Para aliciar os jovens, na minha opinião, banalizaram-se muito os rituais. Nas igrejas ortodoxas que visitei, sobretudo, em São Petersburgo, encontrei uma outra solenidade, uma outra interioridade. Digamos que comecei este caminho há muito, mas estou numa fase de maior meditação. Foi um encontro com os meus quadros.

Está a falar também de Deus?

Não necessariamente. Ou melhor, estou a falar de uma dimensão que nos ultrapassa enquanto seres humanos; de um sentimento muito especial, imensamente profundo. Algo que sinto no meio do corpo e que fica em sintonia com a totalidade do universo, com o divino. Encontrei Deus numa igreja ortodoxa na Rússia, mas não em Fátima, onde estive quando um irmão meu teve um cancro e quis lá ir. A missa foi interrompida de uma forma brutal, o padre não tinha espírito religioso, as pessoas falavam alto e o lado mercantil chocou-me. Sinto, por outro lado, que os artistas têm um mundo espiritual que a Igreja negligenciou no século XX, o que a empobreceu. Sou crente, mas sinto-me desintegrada.

Vemos, nestes quadros, a escrita diarística a fundir-se com a pintura em diálogo com a sua mãe...

Sem pretensões literárias, vou escrevendo apontamentos, notas, desabafos, explosões sobre o quotidiano, alegrias, tristezas, e insiro-os na pintura. A palavra pode ser mais importante do que a imagem. Também ela é imagem. Este Verão, em Trás-os-Montes - onde estive a fazer estes quadros -, visitava todos os dias a minha mãe ao fim da tarde. A essa hora, há uma linha indefinida entre os céus e as montanhas e luz torna-se mágica. Enquanto caminhava, ia ganhando consciência de que aquela era uma viagem em direcção do sagrado.

A Terra é mãe. E a sua mãe...

...é o símbolo da Terra. Da terra vimos e para a terra vamos. Por isso quando chegava a Vieiro, o que fazíamos era ir ver a horta. A minha mãe, a Maria e eu ficávamos a observar o crescimento das plantas, dos tomates, das abóboras... Talvez por ter vivido essa experiência, eu ache que todas as escolas primárias e lares da terceira idade deveriam ter hortas e jardins. As pessoas do povo estão nesses espaços à espera de morrer e dizem: "Estou à espera que Ela venha." Ela é a morte. Se estivessem mais próximas da natureza, compreenderiam o quanto podem ajudar a que ela se renove.

Têm uma relação maternal com a Terra essas mulheres?

Ainda que por vezes não tenham consciência disso, a relação com o semear e o colher é de um grande amor. Para mim, nesses momentos, o universo ganha sentido. A paisagem que deixei para trás, aquele mistério culmina no encontro com a minha mãe. Tão simples e tão profundo, não é? Por isso, em mais do que um quadro nesta exposição, ponho as mulheres a segredarem. Elas são sábias, contam segredos, sussurram, e eu cubro-as de flores coloridas. Foram curandeiras ao longo dos tempos, parteiras, conhecem bem a terra, possuem a sabedoria das plantas...

Pintou um rosto de mulher envolto numa couve. Parece uma flor!

É mais um embrião de flor. Estou sempre a observar couves no campo, têm formas incríveis, Hei-de fazer uma série só de couves (risos). São pujantes, sobretudo as grandes. Descobri imensas coisas nestes meus passeios de Verão. Ao entardecer, era inquietante ouvir o vento a bater nas canas de milho. Às vezes, assustava-me. Pressentia presenças humanas ou espíritos. Como se natureza ganhasse dimensão humana. Tenho o atelier cheio delas agora; o meu irmão Cristiano traz-mas. Estão abertas, desesperadas, tortas. O que me interessa não é pintá-las no lugar onde estão, mas transformá-las. Não gosto de as retirar do seu meio-ambiente que é harmonioso. Reintegro-as na minha realidade. Represento-as de outra forma, por vezes incompreensível.

A metamorfose marca a sua obra que transforma os seres humanos em pássaros, flores... Uma sabedoria que vem dos antigos?

A metamorfose é a transformação que o tempo dá à matéria.

Palavras como fecundidade e fertilidade, vida e morte, queda e renascimento atravessam a exposição?

Há sempre uma luz, ainda que esta pintura seja sentida, triste, densa.

Diário de Notícias

À procura de rastos de portugueses na Rússia




Texto escrito para Agência Lusa por José Milhazes
Retirado do Blog Da Rússia

Um grupo de 25 artistas, escritores e intelectuais portugueses encontram-se na Rússia à procura de vestígios de portugueses e com o intuito de reforçar os laços culturais entre Portugal e a Rússia.

A delegação cultural é dirigida por Guilherme d’Oliveira Martins, presidente da Comissão Nacional da Cultura, e conta com nomes importantes da cultura portuguesa como a pintora Graça Morais.

No primeiro dia da sua presença na capital russa, a delegação encontrou-se com membros do Governo da cidade, mas o ponto mais alto foi a visita à estação Bielorruskaia do Metropolitano de Moscovo, onde, em 1998, foi instalado um painel de azulejos (na foto) da autoria de Graça Morais.

Ao falar com a Lusa, a pintora não escondeu a emoção que sentiu ao ver a sua obra representada num dos metropolitanos mais monumentais, sumptuosos do mundo.

“Foi um dia grande para mim, senti muita emoção, a direcção do metropolitano recebeu-me com um carinho particular”, declarou Graça Morais.

“Foi sublinhado que sou a única artista, cuja obra está representada num lugar tão monumental. A ideia foi do Metropolitano de Lisboa e eu tive a sorte de ser escolhida para pintar o painel a oferecer a Moscovo”.

O painel de azulejos de Graça Morais foi oferecido pelo Metropolitano de Lisboa ao seu congénere de Moscovo em 1998, quando a capital russa celebraou o 850º aniversário da sua fundação.

A pintora revelou também que, depois da sua última visita a Moscovo há 11 anos, a cidade mudou muito.

“As transformações são radicais, mas para o bem. Edifícios bem recuperados, muita animação, juventude, a cidade está a transformar-se numa das melhores capitais”, acrescentou.

“Uma cidade com tantos museus, igrejas imponentes, é de visita obrigatória”, frisou.

Graça Morais revelou à Lusa que esta sua viagem pela Rússia (depois de Moscovo, a delegação irá visitar Novgorod e São Petersburgo) irá exercer influências nos seus trabalhos futuros.

“Novos conhecimentos e influências, cada viagem destas é um ganho para a minha obra”, declarou.

Guilherme d’Oliveira Martins assinalou, em declarações à Lusa, que esta delegação pretende “reforçar as relações não entre instituições oficiais, mas com organizações particulares, associações privadas, criar contactos que envolvam artistas, criadores culturais”.

“A nossa preocupação, continua o presidente da CNC, será publicar, após a nossa viagem, uma obra em Portugal que aborde o tema dos contactos entre as culturas portuguesa e russa no passado, presente e futuro”.

“António Vieira, primeiro perfeito de São Petersburgo, Ribeiro Sanches, médico da corte russa, e Jaime Batalha Reis, embaixador português na Rússia. Estes são apenas alguns nomes de portugueses que desempenharam um papel de relevo nas relações entre os dois países”, frisou.

O presidente da CNC não afastou a possibilidade de a delegação portuesa se poder a vir encontrar, em São Petersburgo, com o futebolista português Danny.

“Se tivermos oportunidade, poderemos encontrar-nos. A cultura é uma realidade que abrange vários campos”, concluiu.


Nome de Graça Morais atribuído a centro de arte

por Ana Marques Gastão

Património. O edifício foi desenhado por Souto Moura e albergará, durante dez anos, a colecção de Graça Morais. Dois núcleos contemporâneos serão dedicados a exposições temporárias, programadas por Serralves. Com este Centro, a pintora quer renovar a auto-estima dos transmontanos

A iniciativa é da Câmara Municipal de Bragança

Chama-se Centro de Arte Contemporânea Graça Morais e inaugura-se, na Rua Abílio Bessa, lá para a Praça da Sé, em Bragança, no fim de Junho, princípio de Julho. O projecto arquitectónico é de Souto Moura que a pintora considera de "grande qualidade" e liga três corpos no lugar onde se alojava o Banco de Portugal.

A Câmara Municipal de Bragança, dirigida por Jorge Nunes - de quem partiu a ideia do Centro de Arte Contemporânea -, decidiu, por unanimidade, já o projecto ia na fase final, em Fevereiro de 2007, atribuir à casa o nome da pintora que, nesta cidade, fez o liceu, entre os 13 e os 15 anos.

O primeiro corpo, constituído pelo antigo Solar dos Sá Vargas recuperado - construção de tipo setecentista -, destina-se à colecção permanente; o segundo e o terceiro serão integrados por mostras temporárias programadas pelo Museu de Serralves.

Propósito: fomentar o pólo de intercâmbio cultural entre Portugal e Espanha, já que Bragança e Zamora são cidades geminadas. Fica, portanto, enquadrada a ligação entre o Museu Baltasar Lobo, na cidade espanhola, cuja reformulação arquitectónica está a ser levada a cabo por Rafael Moneo - autor do projecto do Museu do Prado - e o Centro de Arte.

Segundo o protocolo, a colecção de Graça Morais (1982-2005) ficará em exposição durante dez anos e irá sendo renovada parcialmente de tempos a tempos. Nem tudo o que se expõe foi doado pela artista (ler caixa): há quadros em comodato que pertencem às séries Mapas e o Espírito de Oliveira, O Sagrado e o Profano, As Metamorfoses e ao núcleo de Sines.

Delmina e Maria são as guardiãs do Centro e ficarão expostas em permanência na primeira sala junto ao retrato da pintora, de Eduardo Gageiro. São anjos da terra que falam do diálogo entre as terras de Trás-os-Montes e as gentes de sombras e de água que contam histórias dos buracos da dor e da cor do júbilo. Retratos de mulheres de violências, mel e frutos que abraçam o mistério do tempo.

Colecção em sete salas

Sete salas acolherão a colecção de Graça Morais - a montagem dos quadros, bem como o texto do livro sobre a obra são de João Fernandes -, sendo que os núcleos mais contemporâneos contarão com a programação de Serralves. À abertura do Centro de Arte Graça Morais, inaugurar-se-á uma instalação de Gerardo Burmester que integrou o Grupo Puzzle de que a pintora foi uma das fundadoras.

Diz a artista que gostaria de fazer participar no projecto comunidades de artistas (ficcionistas, poetas, músicos, arquitectos, homens da ciência) que não só têm a ver com o seu trabalho, mas que admira. Para isso, esporadicamente, retirará o seu trabalho de duas salas para as abrir a um criador, jovem ou consagrado: "Creio que esta será uma forma de ganhar públicos e de atrair os mais novos da região que fica agora mais enriquecida."

Comunidade de artistas

"Tive o privilégio de trabalhar com autores que admiro muito, José Saramago, Sophia, Agustina, Pedro Tamen, Nuno Júdice...Tenciono, por isso, realizar pequenas exposições em que valorizarei a faceta da co-autoria na minha obra ou no domínio do teatro", salienta, acrescentando que criou "cenários para Os Biombos, de Genet (Teatro Experimental de Cascais), Ricardo II , de Shakespeare (Teatro D. Maria II). Ambas as peças foram encenadas por Carlos Avilez."

Conta Graça Morais que não lhe custou organizar esta colecção porque, ao longo do tempo, foi guardando quadros, ou porque não foram comprados ou porque se tratava de séries que só permitiu que fossem vendidas em bloco: "Não as quis vender a retalho. Não são objectos comerciais, têm uma unidade interior e uma pesquisa profunda que não podiam ser fragmentadas. Então pedi ao Manuel de Brito para vender ou todas as telas do conjunto ou nenhuma."

A colecção de Graça Morais nasceu nas terras de Trás-os-Montes e para lá voltará. Partiu de uma realidade de gente de sentir e pensamento na pedra que transfigurou na sua relação com o sagrado, a morte e a natureza: "Vou disponibilizar-me para fazer visitas guiadas a jovens que precisam de apoio. Gostava que este Centro servisse para melhorar a auto-estima dos transmontanos!", concluiu.

Diário de Notícias 09.06.08
Imagens Arquivo Pintora Graça Morais

Centro de Arte Contemporanea de Bragança - Visita Guiada com Graça Morais



Graça Morais entrevistada por João Faiões. SIC Bragança. Imagem Fernando Nunes

Exposição permanente de pintura e desenho - Graça Morais 1982-2005
centro.arte@cm-braganca.pt
http://www.cm-braganca.pt/
(351) 273 302 410

Parabéns Mãe



Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner

Guardo na alma o carinho, o amor, o agradecimento e a admiração que tenho por ti, querida mãe. Quando esta ligação que sinto por ti é tão imensa, como esta que nos une, uma filha a uma mãe, não há palavras capazes para expressar este laço invisível! A ti devo tudo o que fui, sou e serei! Uma vida não chegará para te agradecer seres a querida Mãe que és, a excepcional Mulher que és, tão humana e sensível não só comigo mas com toda a gente que te rodeia, a extraordinária Pintora que és e o orgulho que tenho por ti! A ti te dedico este poema de Sophia de Mello Breyner. Parabéns Mãe.




Visita guiada com Graça Morais


Graça Morais faz visita guiada à sua exposição

* Mostra está patente na Galeria do Palácio até ao dia 30 de Abril



“Um quadro é sempre o lugar da minha maior intimidade. Estou lá toda. Tudo o que absorvo do exterior passa primeiro por dentro de mim, pelas minhas vísceras, pela minha cabeça. E depois sai e fica numa tela.”

Graça Morais

No próximo dia 23 de Fevereiro, entre as 15 e as 17 horas, a pintora Graça Morais vai realizar uma visita guiada à sua própria exposição, patente na Biblioteca Municipal Almeida Garrett/Galeria do Palácio até 30 de Abril.

Promovida pelo Pelouro da Cultura, Turismo e Lazer da Câmara Municipal do Porto, a Exposição “Graça Morais - Na colecção da Fundação Paço D`Arcos - Pintura, desenho e azulejo (1982 a 2007)” integra cerca de 150 obras, incluindo trabalhos de séries como “Máscaras”, “Cabo Verde”, “Jardins secretos” e ”O Sagrado e o Profano”. Para além dos trabalhos expostos, a mostra inclui um documentário de Joana Morais, em que a autora de “Na Cabeça de uma Mulher está a História de uma Aldeia” revela as suas raízes e o seu percurso.

Paralelamente decorre um programa de visitas guiadas e de actividades de expressão plástica, que permite aprofundar o conhecimento da obra de Graça Morais, cujo um dos pontos fortes é a referida visita guiada.

A partir desta Exposição realizam-se também as seguintes actividades:

Visitas Guiadas: “Um passeio pela obra de Graça Morais”, que se realizarão às terças e sextas-feiras, das 9:30 às 12 horas e das 13:30 às 16 horas, para o público em geral e grupos escolares.

Oficina de Máscaras: “Uma máscara uma Pintura”

Nesta oficina pretende-se fazer uma ligação entre a pintura da autora onde incide a temática «máscaras» e a época do Carnaval, através da construção de máscaras em diferentes materiais. Decorrerá no dia 16 de Fevereiro (sábado), das 9:30 às 12 horas e destina-se a famílias e público em geral

Oficinas de Páscoa: “De um quadro nasce um conto”

Os quadros contam-nos histórias. Nestas oficinas, destinadas a crianças e jovens, os participantes são convidados a descobrir as histórias representadas nos quadros da pintora Graça Morais. Decorrerão de 25 a 28 de Março (1 oficina/dia), das 9:30 às 12:30 horas e das 13:30 às 16 horas.

Visitas guiadas à exposição orientadas pela pintora Graça Morais, no dia 23 de Fevereiro (sábado), às 15:00 e às 17 horas, destinadas ao público em geral.

A Exposição poderá ser visitada de terça a domingo, entre as 10 horas e as 12:30 horas e entre as 13:30 e as 17:30 horas.

Todas as actividades referidas poderão ser feitas mediante marcação prévia através do telefone 226 081 000, ext. 3063.

A entrada é livre.

Galeria do Pálacio (Jardins do Palácio de Cristal)
Biblioteca
Municipal Almeida Garret
Rua Dom Manuel II - Porto
4050-343 PORTO

Continua até 3 de Março a exposição de Graça Morais: Pintura e Desenhos na Galeria 111 (Porto)


In Sofrimento Exposição acaba Hoje




In Sofrimento: as comemorações Torguianas encerraram com a exposição de Graça Morais, seguida pelo “O Labirinto da Guitarra”, com Pedro Caldeira Cabral.

In Sofrimento pode ser visitada hoje pela última vez, dia 3 de Fevereiro, no Edifício Chiado, em Coimbra.


Museu Municipal - Edifício do Chiado, Coimbra Museu Municipal - Edifício Chiado Rua Ferreira Borges, 85 3000-180 COIMBRA Horário de funcionamento 3ª a 6ª - 10h00 às 18h00 Sábados e Feriados - 10h00 às 13h00 / 14h00 às 18h00 Domingos - 14h00 às 18h00 Encerra à 2ª