Painel de azulejos de Graça Morais encoberto


Painel de azulejos de Graça Morais no viaduto de ligação de rio de Mouro à Rinchoa, encoberto por equipamento público.
O painel de azulejos da autoria de Graça Morais, localizado no viaduto de ligação de Rio de Mouro à Rinchoa, por baixo da Estação da CP de Rio de Mouro, está a ser encoberto por equipamento público. O alerta foi dado por Cortez Fernandes, ex-vereador da Câmara de Sintra, em sessão de Assembleia Municipal de 23 de Março, tendo salientado que “aquela obra de arte consta no portfólio e no currículo da pintora Graça Morais como sendo das maiores obras instaladas na via pública”. Cortez Fernandes explicou ao Alvor de Sintra, que sendo “uma obra de arte relevante”, por ser de uma das maiores pintoras portuguesas da actualidade, “o painel está numa situação que não chama a devida atenção para si”, ao que acrescentou que “inclusive, foram instalados candeeiros de iluminação pública e painéis informativos à sua frente, não permitindo a visão global do mesmo”.Ainda adiantou que o Presidente da Assembleia Municipal, Ângelo Correia, se mostrou interessado no problema, tendo declarado que “uma obra de arte destas é um bem cultural importante, que deve ser valorizado, devendo-se chamar a atenção das pessoas” reforçando também o mesmo que “de noite nem sequer está iluminado como deve de ser.Cortez Fernandes ainda assegurou que “estão a ser feitos esforços, por parte da Câmara, para retirar os candeeiros que estão lá, fazendo a iluminação correcta e limpando, inclusivamente, a própria envolvência do painel, que é um terreno da Câmara” e que “os monos que estavam lá já foram retirados”.


retirado de Alvor de Sintra

Pintora Graça Morais ensina arte às crianças na Casa da Cultura da Trofa

Pintora Graça Morais ensina arte às crianças na Casa da Cultura da Trofa. A Casa da Cultura da Trofa, recebe a 22 de Maio um dia dedicado à pintura orientado pela prestigiada pintora portuguesa Graça Morais . Este encontro com a pintora reunirá centenas de crianças das escolas do concelho da Trofa, bem como de outros concelhos que estarão de visita ao município trofense.
Esta iniciativa tem como objectivo sensibilizar as crianças para a arte, desde tenra idade e motivá-las para a criação artística.Os ateliers decorrem das 10h00 às 19h00 e são uma oportunidade única para as crianças entrarem em contacto com uma figura de destaque da pintura portuguesa.
De recordar que esta pintora tem exposta uma mostra de trabalhos seus intitulada "Orpheu e Eurydice", até o dia 31 de Maio na Casa da Cultura, - inserida ainda no programa do 3º Encontro Lusófono de Literatura Infanto-Juvenil, que decorreu de 27 de Abril a 6 de Maio, - onde apresenta uma série de acrílicos e sépia sobre papel de música que ilustram a poesia de Sophia de Mello Breyner. Graça Morais é para muitos críticos de arte, um dos maiores nomes da pintura dos últimos 100 anos em Portugal, e com a sua experiência, sensibilidade e criatividade conta através das suas ilustrações, histórias tão reais e fascinantes quanto a poesia de Sophia de Mello Breyner Andersen. A exposição e o encontro com a autora constituem duas formas únicas do Concelho da Trofa homenagear os maiores nomes da nossa Cultura.
nota: as fotografias são do arquivo de Graça Morais
retirado de O Notícias da Trofa


Graça Morais baptiza Centro de Arte

Graça Morais dá nome a museu


Equipamento, a inaugurar no próximo Outono, será dedicado à pintora transmontana





O Museu de Arte Contemporânea de Bragança vai adoptar o nome da pintora Graça Morais.

A escolha, anunciada ontem, em Assembleia Municipal, recaiu sobre a artista devido às suas origens transmontanas, mas, sobretudo, “numa atitude de reconhecimento pela sua obra”, explicou o presidente da Câmara Municipal de Bragança (CMB), Jorge Nunes.
O espaço, que deverá abrir em Outubro ou Novembro, vai acolher sete salas de exposição permanente que serão ocupadas, exclusivamente, com trabalhos de Graça Morais, disponibilizados pela própria pintora. “Celebrámos um protocolo, no qual ficou estabelecido que a artista faria uma doação ao museu. As suas restantes obras ficarão em regime de comodato”, informou o autarca.
Deste modo, para exibição permanente, Graça Morais oferece 50 desenhos e pinturas sobre papel e duas telas denominadas “Maria” e “Delmina”. Já em regime de comodato, a artista cede, pelo período de dez anos, as pinturas e desenhos necessários para preencher todas as salas do espaço destinado à exposição permanente.
“Como vai concentrar obras de apenas uma artista pode atrair mais visitantes a Bragança”, sublinhou o edil.
Para Jorge Nunes, a exposição permanente de Graça Morais é uma mais-valia para a cidade. “É um pormenor diferenciador, porque se uma pessoa de qualquer sítio quiser conhecer o trabalho da pintora sabe que terá que se deslocar a Bragança”, assevera o autarca.



retirado do Mensageiro de Bragança


Escritos de Eva: Sophia de Mello Breyner Andresen # O Anjo de Timor

Sophia de Mello Breyner Andresen # O Anjo de Timor

4 de março de 2007

Há muitos, muitos anos, em Timor, vivia um liurai muito poderoso e muito bom. Na sua juventude resolveu ir correr mundo, para se tornar mais sábio.
Foi viajando de barco, de ilha em ilha, até chegar a uma terra muito distante.
Ali, um dia, conheceu um mercador vindo de muito longe, dos países do lado do Poente e que, também ele, andava há longos anos no caminho.
Esse mercador disse-lhe que, numa das suas viagens, tinha ouvido contar que, ainda muito mais longe, para além de montanhas, oceanos e dos imensos desertos de areia, vivia um povo que adorava um Deus único e todo-poderoso, criador do Universo e de todas as suas criaturas. E esse povo acreditava que o seu Deus, um dia, desceria à terra para salvar todos os homens.
- Quero ir ao país onde mora esse povo, disse o timorense.
Quero ouvir mais notícias do Deus que um dia viverá entre nós.
- Ai, é impossível, respondeu o mercador. Esse país fica tão longe que mesmo se viajasses a tua vida inteira não conseguirias lá chegar.
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- Já vi tantos lugares e tantos povos, mas não posso encontrar o povo que adora o Deus único, porque mesmo que viajasse a vida inteira não conseguiria lá chegar. Por isso, de que me serve viajar mais?
E voltou para a sua terra.
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E enquanto dormia, ouviu em sonhos uma voz que lhe disse que esperasse, esperasse sempre, pois um dia, a meio da noite, Deus lhe mandaria um sinal.
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Daí em diante, foi sempre assim. ... quando todos tinham adormecido, sentava-se de novo sozinho, à porta da sua casa, à espera de um sinal de Deus. ... ia envelhecendo, mas todas as noites se sentava à entrada da sua casa, à espera do sinal de Deus. Poisava sempre ao seu lado a pequena caixa de sândalo onde estavam guardadas as pedrinhas com as quais na sua infância jogava o hanacaleic.
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E o jovem disse:
- Sou o Anjo de Timor. Alegra-te, liurai, porque o Deus que tanto tens esperado se fez homem e desceu hoje à terra. ... Gaspar traz uma caixa com oiro. Melchior uma caixa com mirra e Baltasar uma caixa com incenso.
- Quero ir com eles, exclamou o chefe timorense.
- É impossível. Belém fica tão longe que nem que caminhasses a tua vida inteira lá chegarias.
- Então, Anjo, tu que és mais rápido que o pensamento, leva o meu presente ao Menino. É uma caixa de sândalo que tem lá dentro as pedras com que eu brincava ao caleic quando era pequeno. O Anjo tomou a caixa nas mãos e disse:
- Ainda bem que te lembraste de Lhe mandar um brinquedo.
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Este Natal, de novo, o Anjo de Timor se ajoelhou e ofereceu uma vez mais a caixa de sândalo e as pedras do caleic:
- Menino Deus, Príncipe da Paz, Deus todo Poderoso, lembra-Te do povo de Timor que por Ti foi confiado à minha guarda. Vê como não cessam de Te invocar, mesmo no meio do massacre. Senhor, libertai-os do seu cativeiro, dai-lhes a paz, a justiça, a liberdade. Dai-lhes a plenitude da Vossa graça.
Glória a Ti, Senhor!




in "O Anjo de Timor"
de Sophia de Mello Breyner Andresen
ilustrações de Graça Morais

retirado de Escritos de Eva