por Ana Marques Gastão
Património. O edifício foi desenhado por Souto Moura e albergará, durante dez anos, a colecção de Graça Morais. Dois núcleos contemporâneos serão dedicados a exposições temporárias, programadas por Serralves. Com este Centro, a pintora quer renovar a auto-estima dos transmontanos
A iniciativa é da Câmara Municipal de Bragança
Chama-se Centro de Arte Contemporânea Graça Morais e inaugura-se, na Rua Abílio Bessa, lá para a Praça da Sé, em Bragança, no fim de Junho, princípio de Julho. O projecto arquitectónico é de Souto Moura que a pintora considera de "grande qualidade" e liga três corpos no lugar onde se alojava o Banco de Portugal.
A Câmara Municipal de Bragança, dirigida por Jorge Nunes - de quem partiu a ideia do Centro de Arte Contemporânea -, decidiu, por unanimidade, já o projecto ia na fase final, em Fevereiro de 2007, atribuir à casa o nome da pintora que, nesta cidade, fez o liceu, entre os 13 e os 15 anos.
O primeiro corpo, constituído pelo antigo Solar dos Sá Vargas recuperado - construção de tipo setecentista -, destina-se à colecção permanente; o segundo e o terceiro serão integrados por mostras temporárias programadas pelo Museu de Serralves.
Propósito: fomentar o pólo de intercâmbio cultural entre Portugal e Espanha, já que Bragança e Zamora são cidades geminadas. Fica, portanto, enquadrada a ligação entre o Museu Baltasar Lobo, na cidade espanhola, cuja reformulação arquitectónica está a ser levada a cabo por Rafael Moneo - autor do projecto do Museu do Prado - e o Centro de Arte.
Segundo o protocolo, a colecção de Graça Morais (1982-2005) ficará em exposição durante dez anos e irá sendo renovada parcialmente de tempos a tempos. Nem tudo o que se expõe foi doado pela artista (ler caixa): há quadros em comodato que pertencem às séries Mapas e o Espírito de Oliveira, O Sagrado e o Profano, As Metamorfoses e ao núcleo de Sines.
Delmina e Maria são as guardiãs do Centro e ficarão expostas em permanência na primeira sala junto ao retrato da pintora, de Eduardo Gageiro. São anjos da terra que falam do diálogo entre as terras de Trás-os-Montes e as gentes de sombras e de água que contam histórias dos buracos da dor e da cor do júbilo. Retratos de mulheres de violências, mel e frutos que abraçam o mistério do tempo.
Colecção em sete salas
Sete salas acolherão a colecção de Graça Morais - a montagem dos quadros, bem como o texto do livro sobre a obra são de João Fernandes -, sendo que os núcleos mais contemporâneos contarão com a programação de Serralves. À abertura do Centro de Arte Graça Morais, inaugurar-se-á uma instalação de Gerardo Burmester que integrou o Grupo Puzzle de que a pintora foi uma das fundadoras.
Diz a artista que gostaria de fazer participar no projecto comunidades de artistas (ficcionistas, poetas, músicos, arquitectos, homens da ciência) que não só têm a ver com o seu trabalho, mas que admira. Para isso, esporadicamente, retirará o seu trabalho de duas salas para as abrir a um criador, jovem ou consagrado: "Creio que esta será uma forma de ganhar públicos e de atrair os mais novos da região que fica agora mais enriquecida."
Comunidade de artistas
"Tive o privilégio de trabalhar com autores que admiro muito, José Saramago, Sophia, Agustina, Pedro Tamen, Nuno Júdice...Tenciono, por isso, realizar pequenas exposições em que valorizarei a faceta da co-autoria na minha obra ou no domínio do teatro", salienta, acrescentando que criou "cenários para Os Biombos, de Genet (Teatro Experimental de Cascais), Ricardo II , de Shakespeare (Teatro D. Maria II). Ambas as peças foram encenadas por Carlos Avilez."
Conta Graça Morais que não lhe custou organizar esta colecção porque, ao longo do tempo, foi guardando quadros, ou porque não foram comprados ou porque se tratava de séries que só permitiu que fossem vendidas em bloco: "Não as quis vender a retalho. Não são objectos comerciais, têm uma unidade interior e uma pesquisa profunda que não podiam ser fragmentadas. Então pedi ao Manuel de Brito para vender ou todas as telas do conjunto ou nenhuma."
A colecção de Graça Morais nasceu nas terras de Trás-os-Montes e para lá voltará. Partiu de uma realidade de gente de sentir e pensamento na pedra que transfigurou na sua relação com o sagrado, a morte e a natureza: "Vou disponibilizar-me para fazer visitas guiadas a jovens que precisam de apoio. Gostava que este Centro servisse para melhorar a auto-estima dos transmontanos!", concluiu.
Diário de Notícias 09.06.08
Imagens Arquivo Pintora Graça Morais
Este espaço pretende dar a conhecer a artista plástica Graça Morais por meio da pintura, de pequenos excertos de filmes, entrevistas. Aqui estará presente um expressivo número de obras de um dos maiores nomes da pintura portuguesa actual.
Centro de Arte Contemporanea de Bragança - Visita Guiada com Graça Morais
Graça Morais entrevistada por João Faiões. SIC Bragança. Imagem Fernando Nunes
Exposição permanente de pintura e desenho - Graça Morais 1982-2005
centro.arte@cm-braganca.pt
http://www.cm-braganca.pt/
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