Encontro com Graça Morais marca regresso de Agustina


Agostinho Santos e Sérgio Almeida

Do "feliz encontro" entre dois dos nomes maiores da cultura portuguesa, nasceu "As metamorfoses", projecto das Publicações Dom Quixote em que o confronto dos universos artísticos de Agustina Bessa-Luís e Graça Morais dá origem a um livro assolado tanto pelo tom confessional como pelo desnudamento do singular processo criativo das duas artistas.

A admiração mútua entre ambas já tornara há muito assente a decisão de um projecto conjunto, mas só à terceira tentativa (ler entrevista a Graça Morais AQUI) o desejo se tornou real. E logo de um modo tão intenso que se torna difícil discernir com exactidão quem influenciou quem se é certo que foi a partir dos esboços de vários desenhos da artista plástica que a romancista lançou o repto, não deixa de ser também verdade que, para Agustina, quaisquer pretextos são válidos para as reflexões agudas sobre a natureza humana que caracterizam a sua escrita.

É o que acontece nesta espécie de 'contaminação' mútua, onde "As metamorfoses" a que o título alude se manifestam sob a forma de um regresso às personagens mais emblemáticas dos romances da autora de "A alma dos ricos". Mas não só. Nas 115 páginas, há também incursões pela obra de Ovídio e evocações frequentes a Musil, Maeterlinck, Emily Brontë e Flaubert, afinal, a própria genealogia literária da escritora que celebrou há pouco mais de um mês o 85.º aniversário."Peregrinação" literária

Na "peregrinação" que faz pelos seus livros, como define logo no prefácio, escrito em Novembro de 2005, Agustina conclui que todos os seres "estão continuamente sujeitos a metamorfoses", as quais mais não são, em última instância, do que "o próprio instrumento da realidade".

Se "as personagens dum livro são como cristais de gelo prontos a assumir diversas formas", apesar da crítica as "fossilizar", há na sua criação, todavia, como afiança Agustina, um esforço grande de síntese e de anulação das contradições, pese embora "o indivíduo não contenha apenas o duplo mas muitos outros que reclamam a sua identidade desde o mais profundo do seu ser".

Os célebres aforismos agustinianos - "Para envelhecer duma maneira feliz é preciso desinibir-se e alhear-se de qualquer actividade", sentencia - não estão ausentes de um livro que contribui para um conhecimento mais profundo do processo de criação literária da autora. "Imagino-me como uma lebre num prado, quando escrevo os meus livros. Deixo um sulco no chão molhado de orvalho e os galgos correm atrás de mim. Forçosamente tive uma experiência dessas. Eu punha os pulmões e o coração ao comando do cérebro e só me interessava sobreviver tendo no meu encalço o ganido surdo dos cães e as vozes dos caçadores", confessa.

Enferma há longos meses, Agustina não irá estar presente hoje, às 19 horas, no Café Guarany (Porto), na sessão de lançamento dirigida por Inês Pedrosa - far-se-á representar pelo marido e pela filha -, mas é a própria autora que expressa no prefácio do livro, escrito em Setembro de 2005, a emoção por ver concretizado o projecto "Este feliz encontro com a Graça Morais merece bem o título de "Maneiras de aer". Somos uma só identidade em múltiplas formas de conhecer o vasto mundo e os seus milagres (...) Somos como irmãs que se desvelam a honrar a mãe Terra, eterna não diremos, mas preparada por nossas mãos a empreender o voo, um dia, para outro lugar no espaço".



A metamorfose criativa das mulheres-gafanhoto

Desta vez, as mulheres, as deusas de Graça Morais, foram metamorfoseadas. Desapareceram aqueles rostos rugosos pelo tempo, as mãos finas e corpos esguios, dando lugar a um universo de personagens inventadas, misto mulheres/gafanhotos.

Um dia, o bicharoco foi morto pelo gato da filha de Graça Morais, que o levou para o interior do ateliê. Aí a pintora reparou na beleza estética do animal e conservou-o num frasco, onde posteriormente se lhe juntaram mais dois ou três. A partir daí, surgiram, então, as pinturas de gafanhotos e logo de seguida a metamorfose com a mulher.


São cerca de 50 pinturas (aguarela, acrílico e carvão) concebidas pela pintora que, uma vez mais, evidencia a firmeza e o rigor do traço, juntando-lhes a força da cor.

Este conjunto de obras permite-nos assistir a uma viagem ao interior de um corpo metamorfoseado onde são facultadas as principais fases da mudança. Ou seja, a pintora começa por nos mostrar a separação antes da união e, depois de consumada, apresenta-nos uma série de trabalhos que consolida a metamorfose entre a mulher e o gafanhoto.


As Metamorfoses

"Este feliz encontro com Graça Morais merece bem o título de Maneiras de ser. Somos uma só identidade em múltiplas formas de conhecer o vasto mundo e os seus milagres.(...) Como Carolina e Alberta, somos como irmãs que se desvelam a honrar a mãe Terra, eterna não diremos, mas preparada por nossas mãos a empreender o voo, um dia, para outro lugar no espaço."
Agustina Bessa-Luís
Porto, 12 de Novembro 2005

E assim nasceu um livro ...

As Metarmofoses - um livro a duas mãos de Agustina Bessa-Luís e Graça Morais - é um projecto, nascido de outro...que não foi avante. Esse outro visava assinalar o cinquentenário da 1ªedição de A Sibila (1954) , e foi a própria Agustina a contactar Graça Morais, convidando-a a ilustrar a nova edição.

Graça ficou encantada "Eu, em miúda, conhecera várias sibilas como as que Agustina descreve e, quando li o romance pela primeira vez, era ainda adolescente, escrevi-lhe uma carta, e ela respondeu-me!"
A edição comemorativa de A Sibila era para sair em 2004, mas, por falta de entendimento com a editora (a Guimarães),o projecto gorou-se. Inconformada, Agustina disse então à Graça (segundo esta revelou ao JL): "Ainda havemos de fazer um livro juntas."

E fizeram, este que hoje, 11 de Dezembro, no Porto, no Café Guarani (decorado com quadros de Graça Morais), será apresentado por Inês Pedrosa. Dado o seu estado de saúde, Agustina não estará presente, devendo o marido, Alberto Luís, ou a filha, Mónica Baldaque, representá-la.


Para este novo projecto, a iniciativa partiu d
e Graça Morais, que, um dia,já em 2005, passou pelo Porto, foi visitar Agustina e mostrou-lhe uma série de desenhos seus, todos de figuras femininas transformadas - ou metamorfoseadas - em gafanhotos. Agustina gostou e, logo ali, decidiu escrever um livro sobre metamorfoses. Por outras palavras, um livro sobre algumas das personagens femininas dos seus romances, e Graça o que fez depois foi - como nos diz - «casá-las» com as , próprias mulheres dos seus quadros e dos seus desenhos.


O livro (que esteve parado na Dom Quixote quase dois anos) é isto, e a sua centena de páginas abre com uma intro­dução da própria Agustina, na qual ela explica o encontro com Graça Morais. Um encontro que Graça muito preza, antes de mais porque a romancista revela nos seus livros situações que a pintora conhece bem, de - como nos diz - as ter vivido. Para além disto, há a profunda admiração que nutre por Agustina: «É uma mulher que escreve muito bem. Aqueles olhinhos vêem-nos por dentro e ao país; ela detecta-nos com imensa perspicácia. É uma sábia.»

Por isso, partilhar As Metamorfoses com Agustina é, para Graça Morais, «um prazer e uma honra». E Agustina, como se sente face a este seu novo livro? Graça responde: «Da última vez que falámos, há menos de um mês, ela estava muito contente; feliz.»


Lançamento: Metamorfoses junta textos de Agustina Bessa-Luís e desenhos de Graça Morais. Obra será apresentada hoje no Porto, às 19 horas. Cafè Guarany Av. dos Aliados nº89/85 400 Porto

Texto retirado do JL Nº969

Graça Morais In sofrimento


A Árvore, a convite da Câmara Municipal de Coimbra, organiza uma exposição de desenho e pintura de GRAÇA MORAIS, intitulada In sofrimento, a ser inaugurada no Museu Municipal - Edifício do Chiado, em Coimbra, no dia 13 de Dezembro de 2007, pelas 18.00 horas. Esta exposição sela o encerramento das comemorações torguianas que decorrem desde 17 de Janeiro de 2005.

"Passei o Verão fechada no meu atelier da Costa do Castelo, em Lisboa, a desenhar e a pintar com o objectivo de apresentar uma exposição inédita de homenagem a Miguel Torga, em resposta ao convite da Dra. Berta Duarte, dos Serviços Culturais da Câmara Municipal de Coimbra, para fechar as comemorações do centenário do nascimento do escritor.
As cabeças das mulheres que pintei mostram rostos de olhos fechados que meditam numa vida cheia de histórias e de sofrimento.
No tempo de Miguel Torga, nascia-se e morria-se em casa.
No nascimento e na morte, são sempre as mulheres que estão presentes, desempenhando as tarefas mais difíceis, mais íntimas, mais sagradas, como a assistência aos partos ou o lavar e vestir dos mortos.
A minha escolha dos rostos das mulheres de idade avançada, cheias de saber e de experiência vivida, verdadeiras guardiãs da memória do tempo e duma cultura rural em rápida extinção, representa a minha identificação com o mundo de pessoas, de bichos, de paisagens naturais e humanas, de um espaço geográfico intensamente recriado por Miguel Torga.
Os retratos que iniciei a partir do rosto da minha mãe, transmuta
ram-se noutros rostos de mulheres, mulheres sem nome, deixando de ser retratos, para se transformarem apenas em desenhos e pinturas. Conheci Miguel Torga em 1986, em Coimbra, por ocasião da minha exposição “Mapas e o Espírito da Oliveira”, organizada a convite de Túlia Saldanha, no Círculo de Artes Plásticas.
Mais tarde, no início dos anos 90, visitei-o na sua casa em Coimbra a propósito de um projecto de livro, que nos foi proposto pelo ex-governador civil de Bragança, Dr. Júlio Carvalho.
Tratava-se, nada mais, nada menos, do que uma edição especial de “Um Reino Maravilhoso” com pinturas originais. Torga não queria uma ilustração do texto.
Pediu-me para pintar grandes telas que representassem o meu “Trás-os-Montes” para se juntar ao seu texto. Lembro a hospitalidade, enorme simpatia e afabilidade de Miguel Torga, acompanhado de sua mulher Andrée Crabbé Rocha. Ofereceram-me a bôla de Vila Real e cerejas frescas de São Martinho de Anta. Durante a conversa, recheada de estórias de vida, interrompendo de tempos a tempos, dizia com um enorme sorriso: Coma cerejas, Graça… coma! Parecia um poema.
Só no ano 2000, depois de uma residência artística na minha região transmontana, é que finalmente surgiram as grandes telas a que chamei “Terra Quente-O fim do milénio” - Aí estavam as grandes telas que Torga desejava para o seu livro.
Finalmente em Setembro de 2002, foi editado pela D. Quixote, o nosso livro, “Um Reino
Maravilhoso”, com apresentação em Bragança, no Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro.
É com enorme prazer que me associo mais uma vez a Miguel Torga, um escritor que desde a minha j
uventude me emocionou e me ensinou a valorizar o Local como espelho do Universal."
GRAÇA MORAIS
Lisboa, 21 Novembro 2007


13 DE DEZEMBRO DE 2007 A 3 DE FEVEREIRO DE 2008 - Museu Municipal - Edifício do Chiado, Coimbra Museu Municipal - Edifício Chiado Rua Ferreira Borges, 85 3000-180 COIMBRA Horário de funcionamento 3ª a 6ª - 10h00 às 18h00 Sábados e Feriados - 10h00 às 13h00 / 14h00 às 18h00 Domingos - 14h00 às 18h00 Encerra à 2ª


Um Reino Maravilhoso:

Sinopse

É um maravilhoso livro-objecto que junta dois vultos maiores da cultura portuguesa do século XX. Dois transmontanos de corpo e alma. O escritor Miguel Torga (natural de São Martinho da Anta) e a pintora Graça Morais (natural do Vieiro). O texto de Torga (que começa em jeito de fábula: “Vou falar-lhes de um Reino Maravilhoso”) foi proferido em 1941 num congresso sobre Trás-os-Montes; as pinturas de Graça Morais (49 no total) fazem parte das séries Terra Quente, AS Deusas da Montanha e Metamorfose. É um mundo fantástico, dos animais, da lavoura, das árvores, das gentes. Do granito, das serras, das montanhas. De um “sol de fogo” e “um frio de neve”. O maravilhoso reino da terra. Diz Torga: “O que é preciso, para os ver (estes mundos), é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois, não hesite.”
ISBN: 9789722021258
Ano de Edição/ Reimpressão: 2002
N.º de Páginas: 100
Encadernação: Capa dura
Dimensões: 24 x 28 x 1 cm



Miguel Torga - Um Reino Maravilhoso (Trás-os-Montes)

" Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança. Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada: - Para cá do Marão, mandam os que cá estão!... Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de nós? Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena: - Entre! A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso. A autoridade emana da força interior que cada qual traz do berço. Dum berço que oficialmente vai de Vila Real a Chaves, de Chaves a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Régua. Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição. Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas. Nos intervalos, apertados entre os rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta angústia. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista. Não se vê por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho. Mas dá. Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre. Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio aveza, crescem as cepas como os manjericos às janelas. No Setembro, os homens deixam as eiras da Terra-Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo. A terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão. Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde: - Entre quem é! Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva. Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada. Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Medo de ficarem aquém do estalão por onde, desde que o mundo é mundo, se mede à hora da morte o tamanho de uma criatura. Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura emigram. Metem toda a quimera numa saca de retalhos, e lá vão eles. Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia. O nome de Trasmontano, que quer dizer filho de Trás-os-Montes, pois assim se chama o Reino Maravilhoso de que vos falei."



Continua TORGA - RETRATOS E PAISAGENS

Miguel Torga é um nome maior da literatura portuguesa e toda a actividade cultural que se possa realizar à volta da sua obra será sempre semente frutuosa. Foi com enorme empenho e entusiasmo que a Árvore, a convite da Direcção Regional da Cultura do Norte do Ministério da Cultura, se envolveu no projecto – INTERREG (Projecto Inter-Regional da Direcção Regional da Cultura do Norte onde se incluem as mais diversas formas de manifestação artística e consequente divulgação cultural). Assim a cultura é mais uma vez causa de aproximação de regiões e de “abolição” de fronteiras.



A abertura desta mostra realizou-se na sede da Árvore, de 5 a 27 de Julho de 2007, seguindo para o Teatro de Vila Real, de 12 a 31 de Agosto; Museu de Lamego, de 9 a 30 de Setembro; Biblioteca Pública de Zamora, de 3 a 30 de Outubro; Centro Cultural de Bragança, de 7 a 30 de Novembro.

Inaugura agora na Biblioteca Municipal de Chaves, no dia 7 de Dezembro de 2007, pelas 18h30, onde estará patente até ao dia 31 do mesmo mês, terminando esta itinerância.


Graça Morais dedica mural a Miguel Torga

A pintora Graça Morais participou na homenagem a Miguel Torga, com a elaboração de um mural alusivo à forma como o escritor retrata Trás-os-Montes.

A obra de arte, inaugurada em Março, encontra-se na entrada principal da Escola Secundária Miguel Torga, em Bragança, que, este ano, está a desenvolver um conjunto de actividades para homenagear o patrono.

Para Graça Morais, o mural é um tributo ao escritor, mas também à escola, que “está a desenvolver um trabalho extraordinário”. “Estou muito feliz, porque acho que está muito bem colocado. Se o Torga ainda estivesse entre nós, penso que também ia gostar, visto que o universo dele está representado na figuração que se pode ver”, acrescentou a artista.

Para elaborar a tela, Graça Morais afirma que não precisou de se inspirar na obra do escritor, uma vez que o seu trabalho se mistura um pouco com o de Torga, que fala de Trás-os-Montes, da sua vivência e das gentes da sua terra.


A mulher, a natureza e os bichos são as figuras que saltam à vista no mural, patrocinado pela Fundação EDP.

“É o universo ligado ao ser humano, aos bichos e à beleza das paisagens de que o escritor tanto fala nos seus livros”, acrescentou a pintora.


A inauguração da obra de Graça Morais foi feita pela mão da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que se deslocou a Bragança para participar nas comemorações do centenário do escritor e do vigésimo aniversário da Escola Secundária Miguel Torga.


Graça Morais defende a interacção do Centro de Arte Contemporânea com as escolas.
O trabalho desenvolvido pela pintora também é enaltecido no Centro de Arte Contemporânea de Bragança, que deverá ser inaugurado em 2008.

Graça Morais dá o nome ao espaço cultural, que vai disponibilizar aos visitantes parte da obra da artista transmontana.

A ligação do centro às escolas é um objectivo que a pintora gostaria de ver cumprido, para que os jovens tenham acesso a obras de arte de qualidade.
“Quando estudei no Liceu sentia um grande isolamento. Na altura, já tinha uma grande necessidade de ver arte e as únicas pinturas a que podia ter acesso era no Museu Abade de Baçal.

Por isso, gostava que os jovens possam ver neste centro a minha pintura e a pintura de grandes artistas”, salientou a pintora.
Ajudar a desenvolver a cultura em Vila Flor é, igualmente, um dos objectivos de Graça Morais, que está a participar no processo de criação de um Centro de Arte na vila.

“Trata-se de um projecto mais pequeno, no qual estou disposta a colaborar, uma vez que é uma terra à qual estou ligada desde a minha infância e que me tem oferecido muitas ideias para o meu trabalho”, realçou a artista. Apesar desta obra ainda se encontrar numa fase embrionária, Graça Morais acredita que se vai concretizar e vai contribuir para a valorização da vila.

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Por uma Obra para todos

Serigrafias

Artistas: Álvaro Siza, Ana Hatherly, Ana Vieira, Ângelo de Sousa, António Costa Pinheiro, Bartolomeu dos Santos, Bela Silva, Eduardo Nery, Fernanda Fragateiro, Graça Morais, Helena Almeida, Ilda David, João Cutileiro, João Vieira, Jorge Martins, José de Guimarães, José Pedro Croft, José Rodrigues, Julião Sarmento, Júlio Pomar, Lagoa Henriques, Malangatana, Manuel Baptista, Paula Rego, Pedro Cabrita Reis, Pedro Casqueiro, Pedro Proença, Rui Sanches e Xana

Em Lisboa
Galeria Diário de Notícias
Av. da Liberdade, 266
Tel.: 213 187 500

No Porto
Galeria Jornal de Notícias
R. Gonçalo Cristóvão, 195
Porto

Horários comuns:
2ªa 6ª» 11h00-20h00
Sáb. e Dom.» 15h00-20h00

De 4 Até dia 29 de Dezembro
Entrada Gratuita

Escolha uma obra para si e colabore na campanha de angariação de fundos para a construção do Centro de Juventude para a Educação Artística da APCC.

Site da APCC

Uma obra serigráfica por uma boa causa

Agostinho Santos

É inaugurada hoje, às 19 horas, na Galeria do Jornal de Notícias, no Porto, a exposição de serigrafrias "Por uma obra para todos...", que conta com a participação de 29 artistas portugueses.

Assim, a partir de hoje estarão expostas serigrafias de Álvaro Siza Vieira, Ana Hatherly, Ana Vieira, Ângelo de Sousa, António Costa Pinheiro, Bartolomeu dos Santos, Bela Silva, Eduardo Nery, Fernanda Fragateiro, Graça Morais, Helena Almeida, Ilda David, João Cutileiro, João Vieira, Jorge Martins, José de Guimarães, José Pedro Croft, José Rodrigues, Julião Sarmento, Júlio Pomar, Lagoa Henriques, Malangatana, Manuel Baptista, Paula Rego,Pedro Cabrita Reis, Pedro Casqueiro, Pedro Proença, Rui Sanches e Xana.

Além de ver e apreciar a mostra, o público interessado poderá adquirir uma edição serigráfica a valores bastante razoáveis, uma vez que, de hoje até ao próximo dia 29, os preços são especiais, ou seja, a grande maioria das obras estará à venda por cifras entre os 325 e os 390 euros.

Trata-se, na realidade, de poder ter acesso a obras de nomes consagrados da arte contemporânea assinadas pelos próprios artistas. Assim, por exemplo, a serigrafia de Siza Vieira será colocada no mercado por 500 euros, mas, durante o período da exposição, poderá ser comprada por 325, enquanto que a de Graça Morais, no valor de 600 euros, estará à venda por 390. Também as serigrafias de Lagoa Henriques, Malagantana, José Pedro Croft, Eduardo Nery, entre outros, estarão à disposição dos interessados por 390 euros.

Educação artística

Na realidade, o título da mostra, "Por uma obra para todos...", enquadra-se perfeitamente, uma vez que é uma oportunidade única de obter um trabalho assinado por um artista conceituado e, ao mesmo tempo, contribuir para uma causa nobre.

Refira-se que esta iniciativa, que conta com a apoio do JN, visa contribuir para tornar realidade um projecto que tem como objectivo a construção de um Centro de Juventude para a Educação Artística, cujo investimento atingirá os 2, 5 milhões de euros.

O empreendimento será edificado no parque da Belavista, entre os bairros de Chelas, Olaias, Areeiro e Alvalade, em Lisboa, e será multifuncional. Isto é, albergará inúmeras actividades e acolherá ateliês, acções de formação, espectáculos, exposições, um centro de informação para a juventude, gabinetes de desenvolvimento e de apoio a actividades e, ainda, alojamento para jovens. Concretamente para a construção do Centro de Juventude para a Educação Artística, a Associação para a Promoção Cultural da Criança (APCC) conta com o apoio de alguns artistas, que, logo que solicitados, aderiram, com agrado, à iniciativa.

Paulo Caramujo, presidente da APCC, garantiu, ao JN, que a participação significativa dos artistas é fundamental para se conseguir obter verbas que contribuam decisivamente para transformar o objectivo em realidade.

Na opinião do responsável, os artistas plásticos tiveram um "papel fantástico, pois todos os que foram contactados aderiram prontamente à ideia, o que faz pensar que o projecto poderá ser um êxito". Paulo Caramujo adiantou que a primeira fase, ou seja, a nível da adesão ao projecto por parte dos artistas, "corresponde, desde já, a uma aposta ganha. Sinceramente, a adesão superou todas as expectativas e agora só falta o segundo passo, que tem a ver com a aquisição dos trabalhos. Se a adesão do público for como a dos artistas, tudo correrá pelo melhor. Vamos lá a ver", acrescentou o presidente da APCC.