Orpheu e Eurydice









Orpheu e Eurydice

Tudo aconteceu em 22 de Abril de 1990. Os desenhos que aqui se apresentam foram os primeiros que pintei no ateliê da Costa do Castelo, usando o papel de música em que o Pedro [Caldeira Cabral] trabalha. (...)
Um dia, mostrei-os à Sophia. Disse-me logo tê-los achado lindíssimos. E propôs-me fazermos um livro com os desenhos e poemas. (...)
Sophia considerou, desde o início, os poemas inspiradores e eu fiquei naturalmente entusiasmada com a ideia. E essa foi a melhor oportunidade para reforçar a nossa amizade. Passamos vários serões, em noites sucessivas, a escolher os poemas e a ligá-los aos desenhos. Sophia aproveitou muitos poemas que já tinha e escreveu outros especialmente, mas nunca estava satisfeita com o resultado, por isso reviu e alterou-os incansavelmente, decerto embalada pela inspiração de Orpheu e Eurydice. (...)
A poesia e a música, que eram tudo para Sophia, estão aqui bem presentes – e eu devo ao Pedro o ter-me feito descobrir esse mundo dos sons e dos
instrumentos, que procurei transpor para os desenhos, simbolicamente feitos em pauta musical. E foi essa familiaridade com a música e a poesia que reforçou a devoção, não é de mais repetir, que tenho por Sophia. Orpheu e Eurydice acompanharam-nos neste nosso encontro inesquecível que se transformou numa grande amizade..."
in catálogo “Orpheu e Eurydice”, Sophia de Mello Breyner Andresen / Graça Morais, excerto de texto de Graça Morais "História de uma devoção", Ed. Centro Nacional de Cultura, Maio 2006


Soneto de Eurydice

Eurydice perdida que no cheiro
E nas vozes do mar procura Orpheu
Ausência que povoa terra e céu
E cobre de silêncio o mundo inteiro.

Assim bebi manhãs de nevoeiro
E deixei de estar viva e de ser eu
Em procura de um rosto que era o meu
O meu rosto secreto e verdadeiro.
Porém nem nas marés, nem na miragem
Eu te encontrei.

Erguia-se somente
O rosto liso e puro da paisagem.
E devagar tornei-me transparente
Como morte nascida à tua imagem
E no mundo perdida esterilmente.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Curriculum de Graça Morais

Nasceu, em 1948, em Vieiro, Trás-os-Montes.
Licenciada em Pintura pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, em 1971. Vive e trabalha em Lisboa e no Vieiro (Trás-os-Montes).

Exposições individuais (selecção)
1980 – “O Rosto e os Frutos”, S.N.B.A., Lisboa.
1984 – “Mapas e o Espírito da Oliveira”, M.A.M. de São Paulo e Rio de Janeiro.
1985 – “Erotismo e Morte”, Universidade de Granada; “O Erótico e o Sagrado”, Imprensa Nacional, Lisboa; exposição com o livro “Graça Morais, Linhas da Terra”, de António Mega Ferreira (Edição Imprensa Nacional Casa da Moeda).
1987 – “Evocações e Êxtases”, Galeria 111, Lisboa.
1992 – Kimberly Gallery, Washington e Scott Alan Gallery, Nova Iorque.
1994 – “Biombos”, Museu da Electricidade, Central Tejo, Lisboa; “Graça Morais, colecção da Fundação Paço d’Arcos”, Museu de Água, Lisboa.
1995 – “As Escolhidas”, Galeria 111, Lisboa.
1997 – Exposição antológica organizada pela Culturgest em Lisboa e no Museu Nacional de Soares dos Reis no Porto.
1998 – “Rostos da Terra” (organização Cooperativa Árvore), Alfândega de Fé, Mirandela, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães e Macedo de Cavaleiros; “Geografias do Sagrado”, Galeria 111, Porto.
1999 – “Sete Tapeçarias”, Galeria Tapeçarias de Portalegre, Lisboa; “Anjos da Montanha”, Galeria Ratton, Lisboa; exposição colectiva itinerante “Leituras da Carta de Pêro Vaz de Caminha”, a convite da Comissão para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses; “Geografias do Sagrado”, Pallazo Geremia e Pallazo Trentini, Trento, Itália e no Palácio Foz em Lisboa.
2000 – “Terra Quente – Fim do Milénio”, Galeria 111, Lisboa.
2001 – “Deusas da Montanha”, Instituto Camões, Paris; “Terra Quente – Fim do Milénio”, Centro Cultural da Fundação Calouste Gulbenkian, Paris.
2002 – “A Idade da Terra”, Galeria 111, Lisboa.
2003 – Exposição antológica “A Terra e o Tempo”, Museu da República Arlindo Vicente, Aveiro.
2005 – “A Visitação”, Galeria 111, Porto; “Retratos e Auto--Retratos”, Centro Cultural de Cascais; “Os olhos azuis do mar”, Centro de Artes de Sines.
2006 – “Diálogos com a Terra”, Galeria Ratton, Lisboa; “Retratos e Auto-Retratos”, Galeria de Arte do Teatro Municipal da Guarda.
2006/2007 – “Graça Morais na Colecção da Fundação Paço d’Arcos – Pintura, desenho e azulejo (1982 a 2006)”, Galeria Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, Lisboa.
2007 – “Silêncios”, (organização Cooperativa Árvore), Biblioteca Municipal de Chaves e Museu Municipal de Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante; “Orpheu e Eurydice”, (organização Cooperativa Árvore), Paços da Cultura de S. João da Madeira e Casa da Cultura da Trofa.

Livros – ilustração e participação
1987 – Ilustração de Livro de Poesia “O Ano de 1993” de José Saramago, editorial Caminho.
2001 – “Orpheu e Eurydice”, Sophia de Mello Breyner Andresen, edição Galeria 111, com pinturas suas.
2002 – “O Reino Maravilhoso”, de Miguel Torga, Publicações Dom Quixote, com pinturas suas.
2003 – “O Anjo de Timor”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, Ed. Ceneteca, com ilustrações suas.
2004 – “O segredo da Mãe”, de Nuno Júdice, Editora Quetzal, sobre pinturas de Graça Morais.
Ilustra poetas e escritores tais como: Manuel António Pina; José Saramago; António Alçada Baptista; Pedro Tamen; Nuno Júdice; Clara Pinto Correia; José Fernandes Fafe; António Osório; Sophia de Mello Breyner Andresen, entre outros.

Livros – publicações
1980 – “O Rosto e os Frutos”, textos de Fernando de Azevedo, S.N.B.A., Lisboa.
1985 – “Graça Morais, Linhas da Terra”, António Mega Ferreira, edição INCM.
1986 – “História de Arte em Portugal”, Rui Mário Gonçalves, Publicações Alfa.
1991 – “Graça Morais, Artista do Ano”, Prémio Soctip compilação de textos críticos e reprodução de pinturas de 1966 a 1991, Soctip Editora.
1993 – “Japão, Diário de Viagem”, Textos de Alberto Vaz da Silva, Borges de Macedo, pinturas Graça Morais, Editora Quetzal.
1996 – “Espelho Imaginário – Pintura, Anti-pintura, Não-pintura”, autor Eduardo Lourenço, INCM.
1997 – “As Escolhidas, Graça Morais”, de Manuel Hermínio Monteiro, Editora Assírio e Alvim; “Graça Morais”, Vasco Graça Moura e Sílvia Chico, edição Quetzal/Galeria 111, com o patrocínio do BPI.
1998 – “Graça Morais, Rostos da Terra”, edição Cooperativa Árvore.
2000 – “Graça Morais, Terra Quente, O Fim do Milénio”, textos de António Carlos Carvalho, fotos de Roberto Santandreu, editora Gótica.
2001 – “100 Quadros Portugueses do séc. XX”, autor José Augusto França.
2005 – “Uma Geografia da Alma”, Graça Morais, Ed. Bial.
2006 – “A pintura de Graça Morais como condição do drama e da fábula”, texto de Cristina Tavares. Cordoaria Nacional, Lisboa.

Cenografias
1993 – “Biombos” de Jean Genet, TEC Cascais, encenação Carlos Avilez.
1995 – Cenografia e Figurinos, “Ricardo II”, de Shakespeare, Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa, encenação Carlos Avilez.
Filmes
1997 – “As Escolhidas” filme de Margarida Gil, baseado na obra de Graça Morais.
1999 – “Na Cabeça de uma Mulher está a História de uma Aldeia”, documentário de Joana Morais, sobre a vida e obra de Graça Morais.

Tapeçarias
Está representada com tapeçarias executadas pela Manufactura de Tapeçarias de Portalegre na Assembleia da República, Câmara Municipal de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa, Montepio Geral – Lisboa, Fundação Mário Soares (Lisboa) e colecções particulares.

Arte pública
Intervenções artísticas em azulejos no Edifício sede da Caixa Geral de Depósitos (em Lisboa), na Estação de Bielo-Rússia do Metropolitano de Moscovo, na estação de comboios do Fogueteiro (Seixal) e na Estação de Metropolitano da Amadora – Falagueira.
Painéis de azulejos no Mercado Municipal de Bragança, na Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães, na Caixa de Crédito Agrícola de Bragança, no Teatro Municipal de Bragança e no Centro de Astro Física e Planetário do Porto.
Destacam-se ainda os painéis em azulejo no Viaduto de Rinchoa/Rio de Mouro e na Central Hidroeléctrica de Vilar de Frades (Vieira do Minho).

Colecções (selecção)
Assembleia da República; Millennium BCP; Banco Espírito Santo; Banco Português de Negócios; C.A.M. – Fundação Calouste Gulbenkian; Culturgest, Caixa Geral de Depósitos; Ministério da Cultura – Fundação de Serralves; Ministério das Finanças; Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil.

blog em atraso (mea culpa)


Sei que tenho deixado passar algumas notícias e outros eventos recentes sobre Graça Morais. Já tive algumas críticas, e críticos que me perguntaram o que se passava por aqui. Bom, tenho andado ocupada com outras coisas, por isso e logo a seguir a esta mensagem deixo-vos os anteriores coleccionados drafts/retalhos que encontrei por aqui e ali na WWW.





foto Joana Morais


Mea Culpa
------> outras coisas explicado logo a seguir aos retalhos


Technorati Tags: ,

50 ANOS DE ARTE PORTUGUESA



Fundação Calouste Gulbenkian inaugura a exposição 50 ANOS DE ARTE PORTUGUESA. Abre ao público amanhã.



(Quadro Grupo Puzzle)

50 ANOS DE ARTE PORTUGUESA
Exposições
De 06/06/2007 a 09/09/2007
Terça, quarta e domingo: 10h00 - 18h00 | quinta, sexta e sábado: 10h00 às 22h00
Salas de exposições temporárias no piso 0 e 01 da Sede


Esta exposição de arte portuguesa, que integra o programa das Comemorações do Cinquentenário da Fundação Calouste Gulbenkian, é uma iniciativa conjunta do Serviço de Belas-Artes e do Centro de Arte Moderna, com curadoria de Raquel Henriques da Silva, em colaboração com as curadoras-adjuntas Ana Filipa Candeias e Ana Ruivo.
A exposição apresenta uma selecção de centena e meia de obras da colecção do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão escolhidas em articulação com a documentação existente sobre os artistas apoiados, em subsídios e bolsas, pela Fundação desde 1957 até à actualidade. Este cruzamento, colecção e arquivo, permite que as obras de arte possuam um lastro significante, vindo da voz dos seus próprios criadores, através dos seus relatórios de trabalho. Deste modo, 50 anos de arte portuguesa pretende ser uma peculiar celebração: a de um intenso convívio entre uma instituição e largas dezenas de artistas – conjunto vasto de autores com elevado reconhecimento na História de Arte Portuguesa – que envolve apreço, mútua dádiva, estabelecimento de novas prioridades e algumas provocações.