Graça Morais baptiza Centro de Arte

Graça Morais dá nome a museu


Equipamento, a inaugurar no próximo Outono, será dedicado à pintora transmontana





O Museu de Arte Contemporânea de Bragança vai adoptar o nome da pintora Graça Morais.

A escolha, anunciada ontem, em Assembleia Municipal, recaiu sobre a artista devido às suas origens transmontanas, mas, sobretudo, “numa atitude de reconhecimento pela sua obra”, explicou o presidente da Câmara Municipal de Bragança (CMB), Jorge Nunes.
O espaço, que deverá abrir em Outubro ou Novembro, vai acolher sete salas de exposição permanente que serão ocupadas, exclusivamente, com trabalhos de Graça Morais, disponibilizados pela própria pintora. “Celebrámos um protocolo, no qual ficou estabelecido que a artista faria uma doação ao museu. As suas restantes obras ficarão em regime de comodato”, informou o autarca.
Deste modo, para exibição permanente, Graça Morais oferece 50 desenhos e pinturas sobre papel e duas telas denominadas “Maria” e “Delmina”. Já em regime de comodato, a artista cede, pelo período de dez anos, as pinturas e desenhos necessários para preencher todas as salas do espaço destinado à exposição permanente.
“Como vai concentrar obras de apenas uma artista pode atrair mais visitantes a Bragança”, sublinhou o edil.
Para Jorge Nunes, a exposição permanente de Graça Morais é uma mais-valia para a cidade. “É um pormenor diferenciador, porque se uma pessoa de qualquer sítio quiser conhecer o trabalho da pintora sabe que terá que se deslocar a Bragança”, assevera o autarca.



retirado do Mensageiro de Bragança


Escritos de Eva: Sophia de Mello Breyner Andresen # O Anjo de Timor

Sophia de Mello Breyner Andresen # O Anjo de Timor

4 de março de 2007

Há muitos, muitos anos, em Timor, vivia um liurai muito poderoso e muito bom. Na sua juventude resolveu ir correr mundo, para se tornar mais sábio.
Foi viajando de barco, de ilha em ilha, até chegar a uma terra muito distante.
Ali, um dia, conheceu um mercador vindo de muito longe, dos países do lado do Poente e que, também ele, andava há longos anos no caminho.
Esse mercador disse-lhe que, numa das suas viagens, tinha ouvido contar que, ainda muito mais longe, para além de montanhas, oceanos e dos imensos desertos de areia, vivia um povo que adorava um Deus único e todo-poderoso, criador do Universo e de todas as suas criaturas. E esse povo acreditava que o seu Deus, um dia, desceria à terra para salvar todos os homens.
- Quero ir ao país onde mora esse povo, disse o timorense.
Quero ouvir mais notícias do Deus que um dia viverá entre nós.
- Ai, é impossível, respondeu o mercador. Esse país fica tão longe que mesmo se viajasses a tua vida inteira não conseguirias lá chegar.
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- Já vi tantos lugares e tantos povos, mas não posso encontrar o povo que adora o Deus único, porque mesmo que viajasse a vida inteira não conseguiria lá chegar. Por isso, de que me serve viajar mais?
E voltou para a sua terra.
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E enquanto dormia, ouviu em sonhos uma voz que lhe disse que esperasse, esperasse sempre, pois um dia, a meio da noite, Deus lhe mandaria um sinal.
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Daí em diante, foi sempre assim. ... quando todos tinham adormecido, sentava-se de novo sozinho, à porta da sua casa, à espera de um sinal de Deus. ... ia envelhecendo, mas todas as noites se sentava à entrada da sua casa, à espera do sinal de Deus. Poisava sempre ao seu lado a pequena caixa de sândalo onde estavam guardadas as pedrinhas com as quais na sua infância jogava o hanacaleic.
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E o jovem disse:
- Sou o Anjo de Timor. Alegra-te, liurai, porque o Deus que tanto tens esperado se fez homem e desceu hoje à terra. ... Gaspar traz uma caixa com oiro. Melchior uma caixa com mirra e Baltasar uma caixa com incenso.
- Quero ir com eles, exclamou o chefe timorense.
- É impossível. Belém fica tão longe que nem que caminhasses a tua vida inteira lá chegarias.
- Então, Anjo, tu que és mais rápido que o pensamento, leva o meu presente ao Menino. É uma caixa de sândalo que tem lá dentro as pedras com que eu brincava ao caleic quando era pequeno. O Anjo tomou a caixa nas mãos e disse:
- Ainda bem que te lembraste de Lhe mandar um brinquedo.
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Este Natal, de novo, o Anjo de Timor se ajoelhou e ofereceu uma vez mais a caixa de sândalo e as pedras do caleic:
- Menino Deus, Príncipe da Paz, Deus todo Poderoso, lembra-Te do povo de Timor que por Ti foi confiado à minha guarda. Vê como não cessam de Te invocar, mesmo no meio do massacre. Senhor, libertai-os do seu cativeiro, dai-lhes a paz, a justiça, a liberdade. Dai-lhes a plenitude da Vossa graça.
Glória a Ti, Senhor!




in "O Anjo de Timor"
de Sophia de Mello Breyner Andresen
ilustrações de Graça Morais

retirado de Escritos de Eva


Cardápio - E porque hoje merecemos beber um bom vinho!

Cardápio - E porque hoje merecemos beber um bom vinho! - Máfia da Cova: "Para não variar muito, a aposta da semana vai para mais um tinto alentejano:

ESPORÃO RESERVA TINTO (2000)- P.V.P Aprox.:17 €




Caracterização:
Esporão D.O.C. Reserva 2000 foi criado através da vinificação em estreme das castas Trincadeira, Aragonês e Cabernet Sauvignon. Revela um aroma de fruta madura bem integrado com carvalho americano. O sabor é intenso e profundo com taninos robustos, encorpado e com uma estrutura que lhegarante uma boa evuloção na garrafa. Para preservar a qualidade deste grande vinho, resolvemos não o estabilizar a frio. Não será de estranhar que algum depósito venha a ser com a idade, encontrado no fundo da garrafa. Graça Morais, pi"


retirado da máfia da cova, é um excelente vinho!


marulhos: instante inverso



lamento-me
peno-me
traio-me
sem que o consolo chegue
sequer
a respirar-me
em vida.

e hoje
hoje
foi um
outro dia
de instantes
inversos
em que o amor
vestido de enganos
bordados a nada
me disse

adeus.

nana

marulhos

" metade da minha alma é feita de maresia "


retirado de marulhos, obrigada nana!

Nas Faldas da Serra: ENCONTRO COM A COLECÇÃO DE MANUEL DE BRITO NO CENTRO DE ARTE DO PALÁCIO ANJOS



ENCONTRO COM A COLECÇÃO DE MANUEL DE BRITO NO CENTRO DE ARTE DO PALÁCIO ANJOS

Um ano após o seu falecimento, a notável colecção de arte de Manuel de Brito ficou instalada em Algés, no Palácio Anjos, que após obras de remodelação reabriu em Novembro de 2004, agora com a designação de Centro de Arte- Colecção de Manuel de Brito, reunindo a maior parte do espólio que o fundador da Galeria 111 foi reunindo ao longo de muitas décadas. No próximo fim-de-semana, aquela instituição promove novos encontros com a Colecção de Arte de Manuel de Brito, sábado e domingo, 24 e 25 de Março, belíssima oportunidade para visitar e conhecer aquele museu.

Estaremos assim de volta para mais um encontro sobre uma parte importante do nosso património artistico, muitas vezes deplorado e ignorado. Alguns nossos amigos defendem que é urgente e imperioso divulgar a Colecção Manuel de Brito, reclamando que a Câmara Municipal de Oeiras não o tem feito suficientemente, crítica extensiva à Junta de Freguesia de Algés...

O museu presentemente instalado no Palácio Anjos sob a designação Centro de Arte- Colecção Manuel de Brito, alberga esta colecção de 150 obras de alguns dos artistas portugueses mais importantes do sec. XX. É até muito curioso que estando esta colecção avaliada em 18 milhões de euros, este museu não tenha website nem sequer número de telefone!
A Colecção de Manuel de Brito inclui obras de importantes artistas de representação visual como Almada Negreiros, Mário Eloy, Mário Cesariny, Vieira da Silva, Ângelo de Sousa, Julião Sarmento, Pedro Cabrita Reis, Júlio Pomar, Paula Rego, Graça Morais e Amadeo de Souza-Cardoso , entre muitos outros, muitos deles lançados pelo próprio Manuel de Brito e pela sua histórica Galeria 111.
Termino esta postagem fazendo novamente eco das preocupações dos meus amigos que me transmitiram esta notícia: divulguemos aquela exposição e não nos esqueçamos de a visitar Está em Algés, no Centro de Arte- Colecção de Manuel de Brito, e para quem não conhece, basta lá chegar e perguntar onde fica o Palácio Anjos, que aqui podemos adiantar ficar mesmo junto à Biblioteca Municipal do Parque Anjos, em Algés. É de ir!

texto retirado de Nas Faldas da Serra

Pinturas de Graça Morais ficam na Biblioteca até dia 20


“Silêncios” incluiu 27 obras da artista transmontana

Porque são imagens feitas em silêncio; porque são imagens que falam para dentro; porque são imagens que convidam à reflexão. Eis as razões porque se intitula “Silêncios” o conjunto de 27 obras, pinturas e desenhos, que a mais conhecida das pintoras transmontanas, Graça Morais, tem expostas, desde a sexta-feira da semana passada na Biblioteca Municipal de Chaves. A mostra de Graça Morais é a primeira de três exposições de artistas de renome nacional (Álvaro Siza Vieira e José Rodrigues, serão os próximos), previstas para este ano no âmbito da política cultural da Câmara. No dia da inauguração, a pintora falou precisamente na importância do silêncio “num mundo com tanto barulho”. “Até mesmo no campo é difícil conseguir um ambiente em silêncio”, disse, ao Semanário TRANSMONTANO, Graça Morais, lembrando que o silêncio convida à “reflexão” e ao “pensamento”, ao contrário da cultura dos centros comerciais, onde “ninguém pensa, e somos impelidos a compras aceleradas”. Esta é a primeira exposição de Graça Morais em Chaves, uma cidade que diz muito à artista. “Gosto imenso de Chaves. O meu primeiro marido era de Chaves e passei cá muitos natais”, referiu. O local da exposição também é do agrado da pintora. “São locais de grande frequência e onde se pode conjugar a pintura com a literatura”. A mostra via estar patente ao público até ao próximo dia 20. Quem é Graças Morais? Natural da localidade de Vieiro, em Vila Flor, no distrito de Bragança, Graça Morais é licenciada em pintura pela Escola de Belas Artes do Porto. A sua obra, onde prevalecem rostos e figuras, está marcadamente ligada às suas raízes e à cultura transmontana. Além de uma série de exposições individuais por vários pontos do país, já expôs em galerias de países como Nova Iorque, Itália, Brasil e Espanha. E os seus desenhos ilustram escritores como José Saramago ou Sophia de Mello Breyner Andresen, entre outros. As suas pinturas estão ainda presentes numa série de painéis de azulejos em vários locais do país e, inclusivamente, numa estação de metropolitano em Moscovo, na Rússia.

texto retirado do Semanário Transmontano